Cantigas Medievais Galego-Portuguesas

Publicado em 7 de outubro de 2015 por - História

As cantigas trovadorescas galego-portuguesas são um dos patrimônios mais ricos da Idade Média peninsular. Produzidas durante o período, de cerca de 150 anos, que vai, genericamente, de finais do século XII a meados do século XIV, as cantigas medievais situam-se, historicamente, nas alvores das nacionalidades ibéricas, sendo, em grande parte contemporâneas da chamada Reconquista cristã, que nelas deixa, aliás, numerosas marcas. Tendo em conta a geografia política peninsular da época, que se caracterizava pela existência de entidades políticas diversas, muitas vezes com fronteiras voláteis e frequentemente em luta entre si, a área geográfica e cultural onde se desenvolve a arte trovadoresca galego-portuguesa (ou seja, em língua galego-portuguesa) corresponde, latamente, aos reinos de Leão e Galiza, ao reino de Portugal, e ao reino de Castela (a partir de 1230 unificado com Leão).

Nas origens da arte trovadoresca galego-portuguesa está, indiscutivelmente, a arte dos trovadores provençais, movimento artístico nascido no sul de França em inícios do século XII, e que rapidamente se estende pela Europa cristã. Compondo e cantando já em língua falada (no caso, o occitânico) e não mais em Latim, os trovadores provençais, através da arte da canso, mas também do fin’amor que lhe está associado, definiram os modelos e padrões artísticos, mas também genericamente culturais, que se irão tornar dominantes nas cortes e casas aristocráticas europeias durante os séculos seguintes. Acompanhando, pois, sem dúvida, um movimento europeu mais vasto de adoção dos modelos occitânicos, a arte trovadoresca galego-portuguesa assume, no entanto, características muito próprias, como explicitaremos mais abaixo, e que a distinguem de forma assinalável da sua congénere provençal, desde logo pela criação de um gênero próprio, a cantiga de amigo.

No total, e recolhidas em três grandes cancioneiros (o Cancioneiro da Ajuda, o Cancioneiro da Biblioteca Nacional e o Cancioneiro da Biblioteca Vaticana), chegaram até nós cerca de 1680 cantigas profanas ou de corte, pertencentes a três géneros maiores (cantiga de amor, cantiga de amigo e cantiga de escárnio e maldizer), e da autoria de cerca de 187 trovadores e jograis. Da mesma época e ainda em língua galego-portuguesa, são também as Cantigas de Santa Maria, um vasto conjunto de 420 cantigas religiosas, de louvor à Virgem e de narração dos seus milagres, atribuíveis a Afonso X. Tendo em comum com as cantigas profanas a língua e eventualmente espaços semelhantes de produção, as Cantigas de Santa Maria pertencem, no entanto, a um tradição cultural bem distinta, motivo pelo qual não integram a presente base de dados.

Acesse a base de dados:

http://cantigas.fcsh.unl.pt/listacantigas.asp

A presente base de dados é resultante do projeto Littera, edição, atualização e preservação do patrimônio literário medieval português, projeto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (PTDC/ELT/69985/2006), e sediado no Instituto de Estudos Medievais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. A equipa contou ainda com a colaboração da Biblioteca Nacional de Portugal no que toca às imagens do Cancioneiro da Ajuda e do Cancioneiro da Biblioteca Nacional.

cantiga

“Nobre, jogral com cítola, rapariga” (Cancioneiro da Ajuda). O site também disponibiliza imagens de várias iluminuras.

FONTE: Literra FCSH.

 

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1 Comentário

  1. Rafael disse:

    Há quem diga, aqui no Mato Grosso, que os cururueiros da baixada cuibana e os da cidade de Corumbá, Mato Grosso do Sul, são remascentes dos trovadores. Portanto, música é um meio de sociabilidade, logo, sua função pode ser uma fonte histórica.

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