Cachorros: os novos inimigos públicos?

Publicado em 30 de setembro de 2014 por - temas atuais

André Forastieri, do Portal R7, conseguiu irritar muita gente com o artigo “Você é burro e seu cachorro é porco”. Tomado por um incompreensível ódio pelos brasileiros e pelos animais, o jornalista reclamou da falta de educação donos de cachorro locais, afirmando que o Brasil é o segundo país com o maior número de cães do mundo (37 milhões). Depois, disse que “nem ciclista bate dono de cachorro em arrogância”.

Confesso que as imagens escolhidas para ilustrar o texto me causaram profundo mal-estar, e achei seus argumentos um tanto toscos. Sim, é verdade, que há muita gente mal educada que não recolhe os dejetos de seus animais. Mas, isso não significa que todos o fazem, nem que ter um cachorro torna alguém “folgado” (?). Infelizmente, ainda há pouco respeito pelo espaço público, de maneira geral, e muitos cidadãos ainda jogam lixo e toda sorte de porcarias pelas ruas. É necessário que haja maior conscientização da população (a Prefeitura de São Paulo estuda multar quem insistir nestas práticas). Agora, um discurso de ódio em relação aos cachorros e seus donos me parece um tanto ridículo…

Ao longo da História, os cães e os homens foram quase sempre parceiros. “O cachorro desempenha tantas e tão diversificadas funções: late à noite, vigia residências, fareja drogas, guia cegos, busca o jornal, faz anúncios para a televisão e, é bom não esquecer, foi pioneiro nas viagens espaciais. É graças a essa formidável colaboração que marcou tanto nossa vida. Hoje, deixaram para trás a imagem de lutadores aguerridos que enfrentavam, nas arenas romanas, ursos e leões ou, nas feiras medievais, touros e bois bravos. Pinturas na Espanha comprovam que sua domesticação teria ocorrido há cerca de 10 mil anos. Escavações arqueológicas revelam que eram enterrados junto com seus donos e, entre o Egito e a Grécia, os cultos ao deus Chacal e a Argos — o cão de Ulisses — comprovam a fecundidade das representações sobre a ligação homem/cão”, conta Mary del Priore.

Infelizmente, vivemos em uma época em que criar falsas polêmicas se tornou rotina na mídia. Atacar os outros, fomentar o ódio e o preconceito, acabam trazendo uma certa popularidade aos autores. E, desta vez, sobrou para os cachorros…Será que não há tema mais relevante para ser discutido que rancores e antipatias pessoais? – Márcia Pinna Raspanti.

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Nem os animais são poupados do discurso de ódio…

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6 Comentários

  1. ismael machado disse:

    Mas quando pessoas começam a fazer abaixo-assinado para retirar um texto, isso abre precedentes perigosíssimos. e nisso sou contra sempre

    • marcia disse:

      Oi, Ismael. A partir do momento em que um texto é publicado, não temos mais controle sobre ele. Acho que o leitor tem direito a se manifestar, isso também é liberdade de expressão. Se as pessoas se sentem ofendidas, elas irão reagir, até com pedidos para a retirada do artigo em questão (se o pedido vai ser atendido, é outra história). Não vejo nada de errado nisso. Liberdade também significa responsabilidade, na minha opinião.

  2. ismael machado disse:

    Olha, já tive cachorro, tenho dois gatos, mas não consigo deixar de achar que ele tem razão em grande parte do que ele escreveu, Odeio pisar em bosta de cachorro e odeio quando alguém não limpa o que o bicho faz. Vejo muitas pessoas depositarem nos animais suas próprias solidões e desamparos, mas isso é outra discussão. E o fato de comer ou não cachorro, que muitos levantaram, é realmente algo apenas cultural. Simples. mas o que não aceito, como jornalista, é a censura, o pedido de remoção do texto, os ataques pessoais…isso me incomoda mais que qualquer outra coisa.

    • marcia disse:

      Realmente, ainda há muitos donos de animais domésticos que não cumprem com suas obrigações, deixando sujeira nas ruas. Isso é muito desagradável e uma falta de educação tremenda. Agora, falando também como jornalista, acho que o fato de as pessoas externarem sua opinião sobre o texto, tanto as negativas quanto as positivas, também deve ser visto como uma forma de liberdade de expressão. Ataques pessoais e xingamentos ultrapassam o limite, com certeza, mas todo artigo publicado pode e deve ser discutido.

      • Piotrek disse:

        Vcs Tem Certeza que o meu cachorro agtenua apenas ver um gato??Crio elle desde prikitotinho, O nome delle e9 Billy,mas nunca consegui fazer elle se entender com seus rivais miau Ah!Consegui sim,eu tenho outro cachorro labrador maior do que o Billy,mais gordo,e mais novo.O noe delle e9 Bomguy.Ainda assim ne3o se entendeu,Elle morre de medo de gato!Uma vez eu tava enrrolando uma esquina com ele,sem coleira,ele veio correndo atre1s de mim destraido,ate9 que quando errolamos tinha um gato deitadinho le1 Meu deus!Do susto que o gato teve,foi o cachorro quem correu!Acho q ele imaginou que era outra coisa.Mas je1 que o gato viu elle correndo,pensou e acertou,o cachorro amarelou!Se e9 assim,saiu correndo atre1s dele,mas quando percebeu que era um cachorro,correu para dentro de casa que nem bala pegava e de le1 ne3o saiu mais,mas se o Bomguy e9 fresco,elle eh.

  3. mari emilia disse:

    Não conhecia, nunca tinha lido nada desse senhor, e como você mesma disse, quer aparecer a qualquer custo.
    Tenho pena de gente como ele, que não teve ter tido um único animalzinho quando criança. Animais são o que melhor pode existir nesse planeta tenebroso, cheio de crueldade praticada pela raça humana.
    O que esse amargurado escreve, é próprio de imprensa marrom.
    Se tivesse capacidade estaria numa grande empresa jornalística

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