Bruxarias na Colônia: escravos e demônios

Publicado em 29 de novembro de 2013 por - História do Brasil

Todas as manifestações demoníacas tinham traços de monstruosidade ou imperfeições. Mesmo que Satã assumisse formas aparentemente agradáveis – como a de uma borboleta, por exemplo – sempre havia algo assustador na sua aparência. Isso não impedia, porém que muitos o chamassem e pedissem sua ajuda.

Há relatos de mulheres na Colônia que se orgulhavam de manter um relacionamento estreito com o diabo. Este podia enviar também demônios “familiares” para ajudar as feiticeiras – ou feiticeiros já que havia representantes do sexo masculino que enfrentavam as mesmas acusações, principalmente homens de origem africana ou indígena. Muitos destes diabretes apareciam em forma de animais e chupavam o sangue de quem os invocara, deixando marcas que nunca mais sairiam. Em outros relatos, o “familiar” se escondia no próprio corpo da bruxa, em cavidades ou protuberâncias  consideradas antinaturais. 

É curioso notar que o demônio “familiar” era frequentemente invocado para prestar ajuda na execução das tarefas diárias, como se fosse um servo. Segundo Laura de Mello e Souza há narrativas em que a questão do escravismo pode ser claramente percebida: “Isabel Maria e Dona Isabel, ambas do Grão-Pará, projetavam sobre seus ‘familiares’ os demônios internos do escravismo: a primeira tinha pretinhos que faziam tudo que ela quisesse; a segunda costumava chamar seus diabretes pretinhos com cantigas: chamava-os xerimbabos”.

Márcia Pinna Raspanti

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As tensões da sociedade escravista se manifestavam no imaginário dos colonos sob a forma de “demônios”, Debret e Goya.

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