As calçolas de D. Amélia

Publicado em 18 de dezembro de 2013 por - História do Brasil

Os estrangeiros escreveram muitos textos comentando os costumes do Brasil, geralmente espantados com a nossa maneira de ser. Uma carta me chamou especial atenção. Redigida por um oficial inglês da fragata Warspite, na qual embarcaram D. Pedro I e a esposa D. Amélia após a abdicação, em 1831, traz uma passagem muito curiosa. O oficial, que entendia português e exercia a função de intérprete entre a tripulação e o casal ilustre, narra o banal episódio em que a jovem esposa de D. Pedro saía do bote e se preparava para subir as escadas da embarcação.

      O extraordinário do relato é que o nosso primeiro imperador chamou a imperatriz de volta, alertando-a em altos brados que ela estava sem calçolas! D. Pedro pediu então uma cadeira para levar a esposa a bordo, mas foi avisado não havia este artigo no navio. Ele, não satisfeito com o escândalo, gritou, agora em francês: “Mas, ela está sem calças!” O anônimo oficial conta que a irmã do imperador, a marquesa de Loulé, tentou acalmá-lo, explicando que ela mesma já havia subido ao navio sem calçolas e não havia nenhum inconveniente nisto. Então, corajosamente, D. Amélia seguiu em frente, enquanto o marido continuou a envergonhá-la:

“Apoiando-se sobre o braço do almirante britânico, sua face (de D.Amélia) estava mortalmente pálida, e ela era incapaz de conter lágrimas em seus olhos. Ela passou pela frente dos marinheiros reais, seus cabelos louros brilhando sobre sua cabeça inclinada, lado a lado com as abotoaduras de prata do almirante. Quando ela chegou à porta da cabine, que havia sido preparada para ela, o almirante francês avançou para fazer sua saudação”.

       Que situação constrangedora para a jovem…Mas, vale destacar que a pobre D. Amélia não havia saído de casa sem roupa íntima, com certeza, ela não estava nua sob as saias, como pode parecer aos desavisados. Ela apenas preferiu vestir “calcinhas” mais modernas e menos volumosas. Esta nova roupa debaixo, que era quase um macacaquinho de linho, virou moda no início do século XIX. D. Pedro estava estranhando que ela não usasse por baixo das saias as calçolas compridas e largas feitas de algodão e linho, já abandonadas pelas damas mais elegantes. A irmã dele também não usava mais as tais calças folgadas, como deixou claro na ocasião.

O imperador estava preocupado que as roupas íntimas da moda permitissem aos marinheiros uma visão muito generosa da anatomia da esposa. E assim, a marinha inglesa soube em detalhes o modelo das calçolas de nossa imperatriz…

Márcia Pinna Raspanti

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O casal e a polêmica das “calçolas” modernas.

 

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1 Comentário

  1. Bem típico do nosso chucro imperador.

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