Arianismo e Intolerância no Brasil: os imigrantes “indesejáveis”

Publicado em 9 de abril de 2017 por - artigos

“Entre 1933 e 1948, centenas de milhares de judeus tentaram deixar a Alemanha e os países europeus ocupados pelo nazismo. Muitos buscaram refúgio no Brasil. E não foram bem acolhidos. “A diplomacia brasileira, nessa época, era marcada pelo racismo e inspirada no arianismo que se alastrava pela Europa e que contaminava também países do continente americano”, afirma Maria Luiza Tucci Carneiro, coordenadora do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação (LEER) da Universidade de São Paulo (USP).

Sob o Estado Novo de Getúlio Vargas, a imigração judaica foi tratada como um “problema” solucionado com uma política sigilosa de negação de vistos, conforme atestam circulares secretas e outros documentos consultados por Carneiro no Arquivo Histórico do Itamaraty, no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, no Museu Lasar Segall, entre outros, além de testemunhos de sobreviventes e de refugiados. “O controle imigratório era sistemático e seletivo, alimentado por um sentimento nacionalista exacerbado por intelectuais eugenistas e higienistas”, ela resume.

A política migratória dos governos Vargas e Dutra é o pano de fundo do livro Cidadão do Mundo: o Brasil diante do Holocausto e dos judeus refugiados do nazifascimo (1933-1948), publicado no Brasil pela Editora Perspectiva, em 2010; na Alemanha, em 2014, pela editora Lit, e que acaba de ser lançado, em fevereiro de 2017, na França, pela editora L´Harmattan. A edição em português e as traduções para o alemão e francês tiveram apoio da FAPESP.

Cidadão do Mundo é subproduto das teses de doutorado e livre-docência de Tucci Carneiro na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. A pesquisa teve como base cerca de 14 mil documentos oficiais e testemunhos de sobreviventes e refugiados radicados no Brasil entre 1933 e 1950, boa parte deles digitalizados com o apoio da FAPESP e disponíveis para consulta no site www.arqshoah.com.

As pesquisas sobre imigrantes indesejáveis, desenvolvidas pelo projeto “Histórias Migrantes”, deixa claro que os judeus não foram as únicas vítimas da política migratória seletiva do governo brasileiro na primeira metade do século 20 e no pós-guerra. Os japoneses, por exemplo, eram estigmatizados como “indesejáveis” e identificados como o “perigo amarelo”.

Leia o texto completo de Cláudia Izique para a Agência FAPESP:

http://agencia.fapesp.br/ecos_do_arianismo_e_da_intolera…

fapesp

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