Águas que refrescam e levam ao pecado…

Publicado em 2 de fevereiro de 2014 por - História do Brasil

Nada melhor que um bom banho neste dias de temperaturas altas, mas nem sempre foi assim…este simples ato de higiene já foi considerado pecaminoso e indecente. Vejamos algumas curiosidades sobre o assunto:

O banho gozou de grande prestígio entre as civilizações antigas e estava associado ao prazer: vide as termas romanas. Durante o Império os banhos públicos multiplicaram-se e muitos se tornaram locais de prostituição. Eram os chamados “banhos bordéis”, onde as “filhas do banho” ofereciam seus serviços. Os primeiros cristãos, indignados com a má frequentação, consideravam que uma mulher que fosse aos banhos poderia ser repudiada. O código Justiano deu respaldo à ação.

Concílio após concílio tentava-se acabar com eles. Proibidos aos religiosos, sobretudo quando jovens, abster-se de banho se tornou sinônimo de santidade. Santa Agnes privou-se deles toda a vida. Ordens monásticas os proibiam aos seus monges. O batismo cristão, antes uma cerimônia comunitária de imersão, transformou-se numa simples aspersão.

Contudo, é importante lembrar que, apesar dos prazeres oferecidos pela água, gestos de pudor estavam sempre presentes. Durante a Idade Média, homens e mulheres não se banhavam juntos, salvo nos prostíbulos. Ambos cobriam as partes pudendas. Eles, com um tipo de calção. Elas, com um vestido fino e comprido. Regulamentos austeros coibiam horários e orientavam o uso das estufas. Era terminantemente proibido, por exemplo, que homens entrassem nos banhos femininos e vice-versa. Não faltam ilustrações – em miniaturas e gravuras – sobre o voyerismo, capaz de quebrar as regras severas que controlavam tais espaços.

Entre os índios, a história era outra: nadar e banhar-se nos rios era algo natural. As tupinambás se pintavam de tinta de jenipapo, “com muitos lavores a seu gosto […] e põem grandes ramais de contas de toda a sorte nos pescoços e nos braços”, segundo informa, em 1587, Gabriel Soares de Souza, um dos primeiros cronistas a descrever a gente do Novo Mundo. Já o capuchinho francês Yves D’Evreux acentuava o gosto por banhos e por se pentear “muitas vezes”.

Segundo alguns autores, enquanto nossos índios davam exemplo de higiene, banhando-se nos rios, os europeus eram perseguidos pelas leis das Reformas católica e protestante que os interditava nadar nus. A visão de rapazes dentro dos rios, mergulhando ou nadando em trajes de Adão, causava escândalo quando não penalidades e multas.

Mas lavar o corpo, com quê? Um pedaço de sabão era bem inestimável. Que o diga certo Baltasar Dias, em 1618. Ao ver que fora roubado do seu, trazido com dificuldade na caravela que o trazia da cidade do Porto para Pernambuco, deu de “dizer palavras de cólera e que o Diabo o levasse de seu corpo”, numa explosão de rara fúria. Conclusão? Foi denunciado à Inquisição por blasfêmia.

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“O banho turco”, de Ingres (1862)

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