A vida nos quilombos

Publicado em 20 de novembro de 2013 por - História do Brasil

O Quilombo dos Palmares é o mais conhecido, mas não foi o único agrupamento de escravos fugidos que existiu. Desde o início do século XVI, já havia registros de fugas de cativos, que juntavam suas forças para se esconder. Com a descoberta do ouro nas Minas Gerais, multiplicaram-se os quilombos na região, assim como ocorreria em Goiás. O mesmo ocorreria na Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

As autoridades portuguesas se empenharam em destruí-los, como ocorreu com Palmares. Havia tropas especializadas em combatê-los, formadas por capitães do mato. Estes recebiam seu pagamento, chamado de tombadia, quando apresentavam as provas de seu sucesso: o quilombola recuperado ou sua cabeça decepada. Na Amazônia, os indígenas substituíram os africanos como força de trabalho e eles também realizavam fugas em massa e se amocambavam, como diziam os documentos da época.

Apesar de toda a hostilidade aos quilombos, é interessante observar que estes estavam inseridos na sociedade da época. Os quilombolas se relacionavam com determinados grupos sociais, prestando serviços, comprando mantimentos e armas, fazendo o escambo, negociando e fazendo trocas, inclusive com ouro e diamantes.

Os quilombos abrigavam pessoas de diferentes etnias e não apenas os negros. Havia regras de comportamento, com castigos e punições para aqueles que não seguissem as normas. Cada quilombo tinha o seu chefe ou líder, e suas práticas religiosas. Havia também crianças e mulheres quilombolas, sendo que estas cuidavam das tarefas domésticas e das roças. – Márcia Pinna Raspanti

quilombos_maiorrugendas

O temido capitão do mato e um mocambo de escravos, na visão de Rugendas.

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29 Comentários

  1. sabrina disse:

    Como é o dia a dia dessas comunidades quilombola hoje? Quais são os hábitos e deveres diarios?

  2. Luis Carlos Conceição Souza disse:

    Quando alguém diz que: “Antes dos Europeus a África escravizou africanos. E no Brasil havia negros que tinha escravos. Todos tinham escravos,não eram só “brancos” que tinha”, torna-se necessário completar a informação e dizer que a escravidão foi uma constante nas antigas civilizações, assim os africanos escravizaram africanos, romanos escravizaram romanos, gregos escravizaram gregos; estou citando apenas algumas das grandes civilizações antigas que se valeram do serviço escravo para seu beneficio, lembrando que a África não é um país e sim um continente formado por vários povos; existiu também a escravidão por guerras, quando o vencedor escravizava o perdedor. O ineditismo ocorreu quando os europeus descobriram (Eta povo pra “descobrir coisas”) que sair de seu continente e ir até a África para capturar / comprar negros geraria uma enorme receita e os tornaria ricos. Assim foi “inventado” um terrível modo de servidão, não mais por costumes ou por guerras, mas pelo dinheiro. É triste saber que o sistema continua até nossos dias, pois hoje a escravidão superou o limite da cor e passou a escravizar, pelo dinheiro, homens, mulheres e crianças.

  3. cristiane disse:

    estou proucurando quem eram as pessoas que moravam la

  4. cristiane disse:

    Meu filho está fazendo lição e não estou conseguindo ajudá-lo, a pergunta é quais são as normas e regras na escola dos quilombolas?

  5. Renato disse:

    Antes dos Europeus a África escravizou africanos e europeus
    também,E no Brasil havia negros que tinha escravos,mestiços tinha.
    Todos tinham escravos,não eram só “brancos” que tinha.

    No mundo inteiro tinha escravidão!

  6. Ana Paula disse:

    Se tinha comida então não é verdade que passavam fome como
    mostra as novelas e filmes do Brasil.E Zumbi não lutava pela libertação
    dos escravos do país inteiro é mentira!

    • Márcia disse:

      Ana Paula, é preciso entender que não havia a ideia de um país naquela época, nem de uma identidade negra ou africana que unisse todos os escravos. Temos que tomar cuidado com os anacronismos.

  7. Murilo disse:

    Então… podemos dizer que a vida nos quilombos era “melhor” do que a vida nos engenhos (para os negros)?

  8. maria yasmin disse:

    amos voces olha os numeros que eu tava os quilombos 81291568

  9. Livia disse:

    Alguem pode me dizer como era a moradia,alimentação e a sobrevivência dos negros nos quilombos

    • marcia disse:

      Cara Livia, há vários textos no blog sobre quilombos, onde você pode encontrar as informações que necessita. Segue abaixo uma das descrições que já publicamos (o nome do post é “Quilombo: refúgio e resistência”). Leia também um artigo chamado “A vida familiar no quilombo”.
      Entre 1644 e 1645, os holandeses, sob o comando de Rodolfo Baro
      e João Blaer, atacaram Palmares. Em 1671, o governador de
      Pernambuco, Fernão de Souza Coutinho, chegou a escrever para
      Portugal afirmando que os negros eram muito mais temidos do que os
      holandeses porque os moradores, “nas suas mesmas casas e engenhos,
      têm inimigos que podem os conquistar”. Como se vê, a percepção das
      tensões entre os grupos livres e escravos era evidente!

      Gaspar Barléu, cronista e amigo de Nassau, deixou uma detalhada
      descrição da sociedade palmariana: “Há dois desses quilombos” –
      explica –,“o Palmares Grande e o Palmares Pequeno. Este (Palmares
      Pequeno) é escondido no meio das matas, às margens do rio Gungouí,
      afluente do célebre Paraíba. Distam da Alagoas vinte léguas, e da
      Paraíba, para o norte, seis. Conforme se diz, contam 6 mil habitantes,
      vivendo em choças numerosas, mas de construção ligeira, feitas de
      ramos de capim. Por trás dessas habitações há hortas e palmares.
      Imitam a religião dos portugueses, assim como seu modo de governar:
      àquela presidem os seus sacerdotes, e ao governo, os seus juízes.
      Qualquer escravo que leva de outro lugar um negro cativo fica alforriado;
      mas consideram-se emancipados todos quanto espontaneamente querem
      ser recebidos na sociedade. As produções da terra são os frutos das
      palmeiras, feijões, batatas-doces, mandioca, milho, cana-de-açúcar. Por
      outro lado, o rio setentrional das Alagoas fornece peixes com fartura.
      Deleitam-se os negros com carne de animais silvestres, por não terem a
      dos domésticos. Duas vezes por ano, faz-se o plantio e a colheita do milho […] O Palmares Grande, à raiz da serra Behé (serra da Barriga), dista trinta léguas de Santo Amaro. São habitados por cerca de 5 mil negros que se estabeleceram nos vales. Moram em casas esparsas, por eles construídas nas próprias entradas
      das matas, onde há portas escusas que, em casos duvidosos, lhes dão
      caminho, cortado através das brenhas, para fugirem e se esconderem.
      Cautos, examinam por vigias se o inimigo se aproxima”.

  10. guilherme disse:

    #sougay #partiu #predito

  11. guilherme disse:

    chorei nesta historia #amamososnegros

  12. Senhor Misterio disse:

    a vida lá era muito triste.

  13. nathalia disse:

    adoreeeeiii as informaçoes

  14. Ingrid disse:

    Eu preferiar assistir 50 tons de cinza!

  15. anonimo disse:

    alguem pode me falar sobre a cultura,as danças, as festas quilombolas etc

    • Amanda disse:

      Herança Cultural Negra e Racismo
      A contribuição cultural de escravos-negros é enorme. Na religião, música, dança, alimentação, língua, temos a influência negra, apesar da repressão que sofreram as suas manifestações culturais mais cotidianas.

      Influência religiosa
      No campo religioso, a contribuição negra é inestimável, principalmente porque os africanos, ao invés de se isolarem, aprenderam a conviver com outros setores da sociedade.

      Mas, nos primeiros séculos de sua existência no Brasil, os africanos não tiveram liberdade para praticar os seus cultos religiosos. No período colonial, a religião negra era vista como arte do Diabo; no Brasil-Império, como desordem pública e atentado contra a civilização.

      A tolerância com os batuques religiosos, entretanto, devia-se à conveniência política: era mantida mais como um antídoto à ameaça que a sua proibição representava, do que por aceitação das diferenças culturais.

      Outras manifestações culturais negras também foram alvo da repressão. Estão neste caso o samba, revira, capoeira e lundú negros.

      O racismo
      Na sociedade brasileira do século XIX, havia um ambiente favorável ao preconceito racial, dificultando enormemente a integração do negro. De fato, no Brasil republicano predominava o ideal de uma sociedade civilizada, que tinha como modelo a cultura européia, onde não havia a participação senão da raça branca. Este ideal, portanto, contribuía para a existência de um sentimento contrário aos negros, pardos, mestiços ou crioulos, sentimento este que se manifestava de várias formas: pela repressão às suas atividades culturais, pela restrição de acesso a certas profissões, as “profissões de branco” (profissionais liberais, por exemplo), também pela restrição de acesso a logradouros públicos, à moradia em áreas de brancos, à participação política, e muitas outras formas de rejeição ao negro.

      Contra o preconceito e em defesa dos direitos civis e políticos da população afro-brasileira surgiram jornais, como A Voz da Raça, O Clarim da Alvorada; clubes sociais negros e, em especial, a Frente Negra Brasileira, que tendo sido criada em 1931, foi fechada em 1937 pelo Estado Novo.

      O samba e a capoeira
      Durante o período da revolução de 30, os próprios núcleos de cultura negra se movimentaram para ganhar espaço. A criação das escolas de samba no final dos anos vinte já representara um passo importante nessa direção. Elas, que durante a República Velha foram sistematicamente afastadas de participação do desfile oficial do carnaval carioca, dominado pelas grandes sociedades carnavalescas, terminaram sendo plenamente aceitas posteriormente.

      No rastro do samba, a capoeira e as religiões afro-brasileiras também ganharam terreno. Antes considerada atividade de marginais, a capoeira seria alçada a autêntico esporte nacional, para o que muito contribuiu a atuação do baiano Mestre Bimba, criador da chamada capoeira regional. Tal como os sambistas alojaram o samba em “escolas”, Bimba abrigaria a capoeira em “academias”, que aos poucos passaram a ser frequentadas pelos filhos da classe média baiana, inclusive muitos estudantes universitários.

  16. walacks /washington disse:

    como eles sobreviveram no quilombo de palmares

    • walacks /washington disse:

      quem nao sabe

      • Amanda disse:

        O maior símbolo da resistência à escravidão apareceu nas últimas décadas do século 16, em uma área onde hoje fica a divisa entre Alagoas e Pernambuco. No começo, o quilombo dos Palmares (cujo nome vem das palmeiras que compunham a vegetação local) era formado por escravos de origem angolana, fugidos das fazendas de cana-de-açúcar da região. Mas, nos 100 anos de existência do lugar, índios e brancos marginalizados também se juntaram à população negra. No auge, Palmares era um povoado grande para os padrões da época: abrigava 20 mil habitantes e incluía nove aldeias, chamadas de mocambos (“esconderijos”, no dialeto banto falado pelos negros). Apesar da aura utópica, o quilombo tinha pouco de sociedade alternativa. Pelo contrário. A própria palavra kilombo, em banto, quer dizer algo como “sociedade guerreira com rigorosa disciplina militar”. “Havia pena de morte para adultério, roubo e deserção”, afirma o historiador Dagoberto José Fonseca, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara (SP). Como os quilombolas não deixaram registros escritos, seus hábitos não são totalmente conhecidos. Sabe-se, porém, que eles eram governados por um rei, com o título de Ganga Zumba (“grande chefe”), assistido por um conselho composto pelos chefes dos vários mocambos. Como a existência do quilombo estimulava as fugas de escravos, os fazendeiros da região reuniram milícias para atacar Palmares durante todo o século 17. Diante dos conflitos constantes, Ganga Zumba aceitou um acordo de paz com os brancos, em 1678. Isso enfureceu os palmarinos, que assassinaram Ganga Zumba dois anos mais tarde. Seu sucessor assumiu o título de Zumbi (uma derivação da palavra “deus” em banto), liderando uma guerra contra os invasores. Mas na manhã de 6 de fevereiro de 1694 a Cerca Real do Macaco, capital de Palmares, foi ocupada por um batalhão comandado pelo bandeirante Domingos Jorge Velho. Nos meses seguintes, as outras aldeias caíram. Zumbi escapou do massacre inicial e liderou uma luta de guerrilhas, mas acabou morto em 20 de novembro de 1695.

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