A UNIÃO SOVIÉTICA E AS SUAS (SUPER) HEROÍNAS DE GUERRA

Publicado em 10 de fevereiro de 2015 por - História

Por Natania Nogueira.

Na maioria dos países onde as mulheres foram recrutadas para servir nas forças armadas, elas assumiam cargos administrativos ou técnicos, que não exigiam sua presença no front. Eram as auxiliares, resguardadas dos perigos do campo de batalha, mas necessárias para o funcionamento eficiente das forças armadas. Assim foi na grande maioria dos países que recrutaram mulheres para o serviço militar. Apenas a União Soviética permitiu que as mulheres pudessem combater oficialmente. Com um início expressivo na área médica, as mulheres vão expandindo sua atuação para outras funções, tornando-se até mesmo pilotos de bombardeiros e atiradoras de elite.

A participação da mulher soviética foi ampla, em todos os setores. Ela estava proporcionalmente muito mais inserida no mercado de trabalho do que as mulheres dos países capitalistas. Mas durante a guerra, essa inserção foi ainda maior. Durante o esforço de guerra, elas suplantaram o número de homens que trabalhavam nas fábricas e na zona rural.

Ao contrário do que ocorre em outros países, na União Soviética a presença das mulheres no exército não era uma novidade. A propaganda lá não foi fundamental para o recrutamento. Segundo a ideologia soviética, toda mulher era uma combatente. Assim, não causava escândalo, nem mereceu justificativas o recrutamento feminino. A defesa da pátria era uma necessidade e um dever de todos. As mulheres, nesse sentido, estavam em pé de igualdade com os homens. Elas estavam no front, cavando trincheiras, na linha de tiro e ajudando a recolher corpos. Eram combatentes prontas para se sacrificarem pela Pátria.

E entre as soviéticas encontramos algumas das maiores heroínas de guerra, entre muitos combatentes homens. Se inicialmente Stalin tinha restrições quanto à participação feminina no esforço de guerra, o alistamento feminino foi efetivamente colocado em prática, e os resultados foram mais do que satisfatórios. Aproximadamente 820.000 mulheres serviram ao exército e destas, 120.000 como combatentes.

Em 1943, foi criada a primeira Escola de Treinamento para Atiradoras de Elite. Essa escola formou 1.061 atiradoras e 407 instrutoras. Duas delas se destacaram, Yudmila Pavlichenko e Maria Ivanova Morozova. Pavlichenko, em apenas três meses de combate, atingiu o recorde de 187 soldados germânicos mortos.

As mulheres-soldado mostraram-se habilidosas atiradoras e se tornaram uma das referências do exército soviético. Seu êxito em muitas missões fez com que o comando do exército reconhecesse seu valor e sua habilidade em declarações como a de um coronel que afirmava serem suas atiradoras melhores do que os homens e mais eficazes na arte da camuflagem, habilidade essa fundamental para um atirador de elite.

As mulheres soviéticas ocuparam praticamente todos os postos de combate. Foram as únicas a constituírem três regimentos de aviação exclusivamente femininos, da mecânica ao piloto. Um era de caça, o outro de bombardeio e o terceiro de bombardeio noturno. O grande destaque ficou para 588º Regimento, de bombardeio noturno, considerado um dos mais vitoriosos daquele país.

As “Feiticeiras da Noite” eram extremamente habilidosas e muito corajosas, haja visto as manobras arriscadas que faziam. Eram muito temidas pelos alemães. Destaque para Marina Tchetchneva, comandante de esquadrilha e uma das oficiais mais condecoradas durante a Segunda Guerra Mundial.

Essas mulheres combatentes tinham ainda uma característica comum: elas não abriam mão da sua feminilidade ao se alistarem. Mesmo em seus uniformes, muitas vezes grandes demais para sua estatura física, mesmo tendo que enfrentar os rigores de um inverno ou as privações de um acampamento, elas sempre encontravam um jeito de se manterem limpas e apresentáveis. Algumas, como a atiradora Olga Vasselievna, declaravam não ter medo de morrer em batalha, mas se isso acontecesse, queriam estar com boa aparência. Daí o uso, embora proibido, de batom, brinco e do cabelo mais comprido, que foi conservado por muitas delas, algumas vezes com a cumplicidade de seus superiores.

Permanecendo horas imóveis no topo de uma árvore, rastejando na lama, enfrentando o frio e a escuridão, as atiradoras de elite tiveram êxito onde muitos homens fracassaram. O que dizer das aviadoras, com suas manobras arriscadas e sua precisão cirúrgica? Se nos quadrinhos norte-americanos as super-heroínas enfrentavam os nazistas, no campo de baralha as mulheres soviéticas mostraram que poderiam fazer a diferença e realizaram feitos que nos levam a indagar se elas, de fato, não foram as super-heroínas de carne e osso.

marina tchetchneva

Marina Tchechneva – fevereiro de 1945.

FONTES PESQUISADAS E SUGESTÕES DE LEITURA:

MELLO, Ana Claudia de Rezende Costa Dutra e. As mulheres na Segunda Guerra Mundial: uma breve análise sobre as combatentes soviéticas. Revista Brasileira de História Militar, Ano III, n. 09, 2012. Disponível em: http://www.historiamilitar.com.br/artigo5RBHM9.pdf, acesso em: 27 abr. 2013.

Mulheres nas Forças Armadas. Disponível em: http://www.history.com/topics/american-women-in-world-war-ii, acesso em 05 mai 2013.

QUÉTEL, Claude.  As mulheres na  guerra – vol 01. São Paulo: Larousse, 2009.

———————–. As mulheres na  guerra – vol 02. São Paulo: Larousse, 2009.

 

 

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