A Revolta de Vassouras

Publicado em 7 de dezembro de 2013 por - História do Brasil

A região de Vassouras e Paty do Alferes, no Rio de Janeiro, foi palco de uma importante rebelião escrava. A região sul-fluminense era uma grande produtora de café e contava com grande número de escravos para trabalhar nas lavouras. Em 5 novembro de 1838, o capataz de uma das fazendas do capitão-mor Manoel Francisco Xavier, matou a tiros um escravo que saíra da propriedade sem autorização. Revoltados, seus companheiros tentaram linchar o assassino, mas foram impedidos. Assim, começaria a rebelião.  Escravos das fazendas pertencentes ao capitão-mor, entre outras, foram soltos pelos revoltosos e engrossaram o movimento. Houve fugas em diversas propriedades. Armados de facões, foices e até garruchas, cerca de 300 fugitivos seguiram pelas matas a caminho da Serra da Taquara. O líder era Manuel Congo, ao lado de sua companheira, Mariana Crioula, costureira e mucama da esposa do capitão-mor.

 

Os rebeldes saquearam as fazendas em busca de armas e mantimentos. Apesar de não ter sido uma rebelião violenta, a fuga em massa causou pânico entre os proprietários. Os fugitivos se esconderam na mata, mas a liberdade duraria pouco. No dia 11 de novembro a Guarda Nacional e o Exército deram fim ao incipiente quilombo do ferreiro Manoel Congo. Dos mais de 300 fugitivos, somente 16 foram levados a julgamento, todos eles escravos do capitão-mor Manuel Francisco Xavier, que assim foi indiretamente punido pelos outros fazendeiros por não ter controlado seus escravos. Da manhã de 22 de janeiro de 1839 até o dia 31 do mesmo mês, o tribunal se reuniu na Praça da Concórdia, diante da Igreja Matriz da Vila de Vassouras. O julgamento foi presidido pelo juiz interino Inácio Pinheiro de Souza Verneck.

 

O capitão-mor, que já tinha perdido sete escravos no combate. Para outros sete réus a pena foi de “650 açoites a cada um, dados a 50 por dia, na forma da lei”, e a “três anos com gonzo de ferro ao pescoço”. A maior surpresa foi a absolvição de Mariana Crioula e todas as mulheres, certamente a pedido de sua proprietária Francisca Elisa Xavier. Entretanto, Mariana Crioula ainda foi obrigada a assistir à execução pública do seu companheiro Manuel Congo.

No dia 4 de setembro de 1839, Manuel Congo subiu ao cadafalso no Largo da Forca, em Vassouras, para ser enforcado – sem sepultamento. – Márcia Pinna Raspanti

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Rugendas: capitão do mato e fazenda.

 

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4 Comentários

  1. Jorge Héreth disse:

    Estou trabalhando numa relação das sentenças de morte executadas no Brasil Reino (1808-1822) e Império (1822-1889), aproximada ao estilo da Espy File americana, com a intenção de poder desmentir certos argumentos do tipo de que a escravidão no Brasil não teria sido tão cruel como em outros países, de que a pena de morte mal teria sido aplicada aqui…

    Já pude chegar à conclusão de que o Brasil Império foi um dos campeões mundiais em execuções, considerando-se o número de enforcamentos à proporcionalidade populacional.

    Neste contexto, pra preencher uma lacuna na minha relação, eu precisaria saber se o Manuel Congo foi condenado à morte pelos Artigos 113º e 192º do Código Criminal de 16 de dezembro de 1830 ou pelos Artigos 1º e 2º da Lei Nº 4 de 10 de junho de 1835. Até agora não consegui achar nenhuma referência.

  2. Jorge Nei disse:

    Ainda existe a comunidade dos quilombolas em Vassouras?

  3. Estou em Vassouras pra onde venho com frequencia e j’a fiz um trabalho na forma de artigo sobre Manoel Congo, para o Seminario Permanente da ComCultura

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