A Proclamação da República

Publicado em 15 de novembro de 2014 por - História do Brasil

Tudo começou quando nasceu aquela manhã ensolarada de novembro de 1889. A movimentação das botas e das rodas de 16 canhões causava estranheza para quem observasse o Campo de Santana. Cerca de 500 homens da 2ª Brigada do Exército, de dois Regimentos de Cavalaria e ainda um grupo de 60 alunos da Escola Superior de Guerra marchavam. À frente, estava o comandante do 1º Regimento de Cavalaria e, ao seu lado, Benjamin Constant, tenente-coronel e professor da escola militar.

O Marechal Deodoro da Fonseca, bastante doente e abatido, chegou de carruagem, tomou a montaria de um subordinado e passou a comandar a coluna de rebeldes. O único civil que participava da ação era o jornalista republicano Quintino Bocayuva. O quartel-general estava rodeado por destacamentos do exército, da Armada, da polícia e dos bombeiros – todos convocados para defender o local.

O gabinete do primeiro-ministro Ouro Preto tentava conter a movimentação dos militares insubordinados. Floriano Peixoto ocupava seu lugar ao lado do governo imperial e garantia que a situação estava sob controle. Na verdade, nada estava sendo feito para conter os golpistas…

Os insurgentes republicanos chegavam ao quartel-general e nenhuma das forças convocadas para defender o local reagia. O Visconde de Ouro Preto, o primeiro-ministro do governo imperial, estava desesperado e cobrava um contra-ataque das forças que supostamente estavam ao lado do imperador. Logo, as tropas de rebeldes e de defesa começaram a confraternizar e se uniram para invadir o quartel, aceitando a autoridade e o comando do respeitado Deodoro.

Um mensageiro trouxe uma mensagem de Deodoro a Floriano Peixoto, que estava dentro do quartel. Ouro Preto proibiu a sua entrada. Então, acontece o inesperado: chegava ao Campo de Santana o ministro da Marinha, o Barão de Ladário, outro respeitável senhor de barbas brancas. Um dos rebelados lhe deu voz de prisão. Ladário desceu da carruagem, sacou a pistola e atirou no oficial rebelde. O barão ainda tentou atingir Deodoro com dois tiros, mas errou ambos.

A reação foi imediata. Um grupo de militares atacou o ministro da Marinha e o agrediu violentamente com tiros e coronhadas. Deodoro teve que impedir seu linchamento. Muito ferido, Ladário foi levado para casa.

Dentro do quartel, Floriano se recusou a reagir, alegando que um contra-ataque geraria uma carnificina. Mandou-se um telegrama para D. Pedro II: as tropas estavam ao lado de Deodoro, Ouro Preto foi forçado a se demitir, diante das circunstâncias.

Deodoro entrou no quartel-general em meio a saudações dos militares. Deu voz de prisão ao Visconde de  Ouro Preto e recebeu a salva de 21 tiros. Dirigiu-se para o Arsenal da Marinha, seguido pelas tropas. A Marinha também apoiaria o golpe.

O que realmente queria Deodoro? Até aquele momento, ele não fizera nenhuma alusão à República. A intenção era forçar a queda do ministério, e depois, escolher outro que agradasse mais os militares. Dizem até que o marechal teria gritado: “Viva Sua Majestade, o imperador”.

Deodoro era o militar mais respeitado do Império, sendo amigo pessoal de D. Pedro II. Mas, acumulava queixas em relação ao regime e não suportava a ideia de um Terceiro Reinado, com Isabel no trono e, pior, com o odiado Conde D’Eu ao seu lado. A versão mais aceita é a de que o marechal acreditava que ainda era cedo para a República: seria melhor esperar o velho imperador morrer e depois tomar as providências para evitar a sucessão “desastrosa”.

Deposto o ministério, o velho militar se recolheu e foi deitar-se. Estava muito cansado e com a saúde debilitada. Entretanto, os republicanos não se conformavam. Queriam mais. Os gritos de “Viva a República” se multiplicavam. Liderados por José do Patrocínio, os rebeldes se reuniram na Câmara e hastearam a primeira bandeira da República. Logo, o governo provisório estaria formado.

Querendo ou não, Deodoro da Fonseca viria a ser o primeiro presidente da república do Brasil.

deodrd.pedroseg

Deodoro da Fonseca e D. Pedro II: amigos no passado.

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3 Comentários

  1. Andrew Amaral disse:

    Engraçado o fato de nossa “Ré-publica” ter nascido com “vivas ao imperador”. Nada mais incoerente, e inusitado.

  2. adelair disse:

    Site maravilhoso. Obrigada

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