A primeira missa: São Paulo de Piratininga

Publicado em 24 de janeiro de 2014 por - História do Brasil

Na véspera do aniversário de 460 anos de São Paulo, vamos conhecer um pouco mais da história da cidade. Para isso, nada melhor que um relato de quem participou da aventura da expansão territorial portuguesa nas terras coloniais.

Os jesuítas tinham o sonho de instalar um colégio da ordem no interior das novas terras para ministrar aos pequenos indígenas os ensinamentos cristãos, além das primeiras letras. José de Anchieta contou que os religiosos que participaram da fundação de São Paulo residiam anteriormente na Vila São Vicente, com os portugueses, onde tinham conseguido reunir um bom número de crianças nativas para catequese. Mas, no trecho da carta que reproduziremos a seguir, ele explica as razões que levaram os padres a mudar-se para a aldeia indígena de Piratininga.

“Para sustento destes meninos, a farinha de pau era trazida do interior, da distância de 30 milhas. Como era muito trabalhoso e difícil, por causa da grande aspereza do caminho, ao nosso padre (Manuel da Nóbrega) pareceu melhor que mudarmo-nos para esta povoação de índios, que se chama Piratininga. Isso por muitas razões: primeiro, por causa dos mantimentos; depois, porque se obtinha dos portugueses menos resultados do que se devia, ainda que logo ao princípio o trato do padre lhes trouxe maior vantagem, especialmente porque se abriu por aqui a entrada para inúmeras nações, sujeitas ao jugo da razão. Por isso, eu e alguns outros irmãos mandados para essa aldeia no ano do Senhor de 1554 chegamos a ela no dia 25 de janeiro e celebramos a primeira missa numa casa pobrezinha e muito pequena no dia da conversão de São Paulo, e por isso dedicamos ao mesmo essa nossa casa (…)

Residimos aqui no momento oito da Companhia, aplicando-nos a doutrinar essas almas e pedindo misericórdia a Deus Nosso Senhor que finalmente nos conceda acesso a outras mais gerações, para serem subjugadas pela sua palavra. Julgamos que todas elas hão de se converter muito facilmente à fé, se lhe pregarem. 

Esses entre os quais vivemos, entregam-nos de boa vontade os filhos para serem ensinados, os quais depois, sucedendo a seus pais, poderão constituir um povo agradável a Cristo. (…)” – José de Anchieta.

Antônio_Parreiras_-_Fundação_de_São_Paulo,_1913

“Fundação de São Paulo”, de Antônio Parreiras, 1913.

 

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2 Comentários

  1. Ivan Dias disse:

    Quando se diz, “farinha de pau”, seria farinha de mandioca?

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