A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Publicado em 25 de outubro de 2016 por - artigos

       Há um ano, o Enem causava polêmica ao colocar a violência contra a mulher como o tema da redação e incluir na prova uma questão sobre a feminista Simone de Beauvoir. Houve muita repercussão negativa, por incrível que pareça, mas a iniciativa gerou muitas discussões interessantes. Infelizmente, os casos de feminicídio, violência doméstica e sexual têm aumentado a cada dia. E uma parcela da população insiste em ignorar os problema…Abaixo o artigo publicado no nosso blog na ocasião:

        O tema da redação do Enem deste ano foi “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. Isso é um grande avanço, pois, levou sete milhões de estudantes a parar para pensar cuidadosamente no assunto e organizar suas ideias em um texto. Acho que já passou da hora de tratarmos da violência (sexual ou não) contra a mulher com a seriedade que ela merece. É preciso combater as ideias e tradições que incentivam a inferiorização do sexo feminino. As mulheres devem se mobilizar, independente de suas posições ou simpatias políticas, para combater esse mal. E sensibilizar os homens em relação ao problema, mostrando que uma “inocente” brincadeira ou ironia é ofensiva, nos incomoda e serve para minimizar a seriedade deste tipo de crime.

         Para a historiadora Mary del Priore, as mulheres devem liderar esta movimentação. “Precisamos de uma mobilização que agrupe grupos de mães, feministas, profissionais organizadas em sindicatos, vereadoras e deputadas, professoras e estudantes, religiosas, enfim, de mulheres de todos os segmentos para dizer, diariamente, não à violência; e para pressionar, sem tréguas e por todos os meios, as autoridades. Mulheres dispostas a lembrar-lhes, incansavelmente, que qualquer forma de constrangimento físico viola um valor sagrado de nossa sociedade: a integridade do indivíduo”, destaca.

        A mulher sempre foi vista como objeto do desejo na maioria das culturas e, em pleno século XXI, ainda não conseguimos nos desvencilhar dessa amarra. Claro que queremos ser atraentes, mas não podemos mais ser tratadas como objeto ou mercadoria. Historicamente, a beleza e a sensualidade femininas sempre foram valorizadas e, ao mesmo tempo, temidas:

        “Sexo belo ou sexo frágil, tais denominações vinculam-se às imagens que nossa sociedade fez deles, de sua beleza ou de sua saúde. No passado, o corpo da mulher era visto com as marcas da exclusão e da inferioridade. Cristalizada pelas formas de pensar de uma sociedade masculina, a evocação das imagens do corpo e da identidade feminina, na pluma de diferentes autores, refletia apenas subordinação: ele era menor, os ossos pequenos, as carnes moles e esponjosas, e o caráter, débil. A subordinação expressava-se, ainda, na capacidade de reproduzir, quando solicitada pelos homens. Contudo, na outra ponta dessa submissão, a mulher era senhora de beleza e sensualidade – aliás, beleza considerada perigosa, pois capaz de perverter os homens; sensualidade mortal, pois se comparava a vagina a um poço sem fundo, no qual o sexo oposto naufragava. As noções de feminilidade e corporeidade sempre estiveram, portanto, muito ligadas em nossa cultura”, diz Mary del Priore.

         Lutamos contra séculos de inferiorização e dominação. Não é uma batalha fácil, mas não podemos mais nos acovardar e esperar que as coisas melhorem por si. – Texto de Márcia Pinna Raspanti.

enem

Saiba mais:http://goo.gl/jS8Efh

O Enem também trouxe uma questão sobre o feminismo, com uma citação de Simone de Beauvoir. Confira:

“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino.

Na década de 1960, a proposição de Simone de Beauvoir contribuiu para estruturar um movimento social que teve como marca o(a)

a) ação do Poder Judiciário para criminalizar a violência sexual.

b) pressão do Poder Legislativo para impedir a dupla jornada de trabalho.

c) organização de protestos públicos para garantir a igualdade de gênero.

d) oposição de grupos religiosos para impedir os casamentos homoafetivos.

e) estabelecimento de políticas governamentais para promover ações afirmativas.”

Resposta C.

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