A morte da Princesa Isabel e a volta ao Brasil

Publicado em 14 de novembro de 2017 por - artigos

       Rijo e elegante, Gastão (conde D’Eu) voltou ao Brasil com o filho Pedro, acompanhando os restos mortais de D. Pedro e D. Teresa Cristina. Foi recebido com todas as honras pelos militares no poder. Isabel não veio. Seu coração não deixou. Estava frágil e adoentada. Aquela que só assinava como condessa d’Eu fechou os olhos no Castelo d’Eu a 14 de novembro de 1921. O então presidente da República, Epitácio Pessoa, mandou prestar honras à memória da princesa, bem como autorizou a transladação de seu corpo para o Brasil.

     Ao regressar com os netos em 1922, a fim de assistir às festas pelo centenário da Independência, um súbito mal-estar fez Gastão reclinar-se no ombro da nora Maria Pia. Era o dia 28 de agosto e jantavam todos a bordo do Massília. Sem sofrimentos, a morte o chamou. Em abril de 1971, os restos do casal foram trazidos para o Brasil. No Rio de Janeiro, receberam honras e ficaram expostos na igreja do Rosário, na rua Uruguaiana. Depois, os esquifes seguiram para Petrópolis. Ali, da torre cinza e escura da catedral, o som alegre dos sinos e o canto dos passarinhos os recebeu.

      No dia 13 de maio, na catedral diocesana, com comemorações da Lei Áurea, descansaram unidos como sempre o foram. Fiéis a si mesmos, entre si e aos amigos, dormiram o eterno sono sem o pesadelo do exílio, nem o sonho do
Terceiro Reinado.

  • Mary del Priore. “O Castelo de Papel”, editora Rocco.
princesa Isabel

Isabel. Princesa Imperial do Brasil. Retrato por Joaquim José Insley Pacheco, 1887

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