A moda e as mulheres “plus-size”

Publicado em 16 de janeiro de 2016 por - História

Com a entrada do açúcar e da batata no cardápio europeu, os modelos de beleza feminina se modificaram. Entre os séculos XVI e XVIII, a Europa abandonava os seios pequenos e quadris estreitos das mulheres retratadas por pintores como Dürer, para mergulhar nas dobras rosadas das “gordinhas” de Rubens e Rembrandt. Gordura não era só sinônimo de beleza, mas, também, de distinção social. Nas sociedades do Antigo Regime, os indivíduos se distinguiam por sua capacidade em escolher determinados alimentos, em detrimento de outros. A nobreza podia se dar ao luxo de consumir cremes, manteiga, açúcar e molhos ácidos e temperados. Os pobres cozinhavam o pouco que comiam, com banha. Os derivados da cana, por sua vez, eram tão caros que só podiam ser consumidos como remédio.

Nestas sociedades, o regime das elites ditava um ideal feminino que andava de par com a corpulência das grandes damas. Não havia formosura, sem gordura! E gordura era sinônimo de riqueza. Havia também uma correlação direta entre gosto alimentar e gosto sexual. Na poesia e na literatura do mesmo período, observa-se que os adjetivos empregados para designar a mulher amada e a comida são os mesmos: “delicada, suculenta, doce, deliciosa”, etc…

Em meados do século XIX, a obesidade começava a provocar interjeições negativas. O século XX trouxe transformações. Desde o início do século, na Europa, multiplicavam-se os ginásios, os professores de ginástica, os manuais de medicina que chamavam atenção para as vantagens físicas e morais dos exercícios. As ideias de teóricos importantes como Tissot ou Pestalozzi  corriam o mundo. Uma nova atenção voltada à análise dos músculos e das articulações graduava, os exercícios, racionalizando e programando seu aprendizado. Não se desperdiçava mais força na desordem de gesticulações livres. Os novos métodos de ginástica investiam em potencializar as forças físicas e as mulheres começam a pedalar ou a jogar tênis na Europa.

Hoje o padrão de beleza é “quanto mais magra melhor”. No mundo da moda, então, a magreza se tornou uma obsessão. Por isso, chama a atenção um trabalho dos alunos do curso Visual Culture: Costume Studies Program, da Universidade de Nova York, que aborda o tema da obesidade na moda. Beyond Measure: Fashion and the Plus-Size* Woman, é uma exposição aberta ao público até o dia 3 de fevereiro na galeria 80WSE.

A universidade optou por utilizar o termo plus-size por entender que a palavra “gorda” traz atualmente uma série de implicações negativas, sendo até ofensiva para algumas pessoas. Além dos objetos, a exibição apresenta fotos e quadros históricos, roupas e vídeos que retratam o tratamento às mulheres plus-size desde o século XVIII.

Texto: Márcia Pinna Raspanti e Mary del Priore.

Mais informações sobre a exposição em: http://mdemulher.abril.com.br/moda/elle/moda-plus-size-e-o-tema-da-nova-exposicao-da-universidade-de-nova-york

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Madame de Saint-Maurice, 1776.

FONTE: MdeMulher/revista Elle.

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