A matemática da “Boa Educação”: quando uma medalha reflete o potencial do aluno e a qualidade do ensino público

Publicado em 23 de julho de 2015 por - Educação

 Por Ana Cristina Miranda Fajardo.

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Christoff Silva Cirino, ao centro da foto.

 

No dia 20 deste mês, tive a honra de participar da cerimônia de premiação da OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Sou professora de Língua Portuguesa, há mais de vinte anos, e foi convidada pelo aluno Christoff Silva Cirino para prestigiar esse momento único na vida dele.

Christoff tem 13 anos e é aluno da E E Justiniano Fonseca, que se localiza no pequeno distrito de Tebas-Leopoldina, MG. Atualmente, cursa o oitavo ano. Por que disse que sou professora de Língua Portuguesa? Para mostrar que o relacionamento professor-aluno pode ir muito além das disciplinas. O convite mostra o valor que ele dá às pessoas com as quais convive, independente das disciplinas que lecionam. Ele valoriza o conjunto, e é por essa valorização que se tornou um aluno vencedor, que sonha em estudar em Harvard. Sonho esse que pode se tornar realidade.

Ao ouvir a fala do presidente do IMPA (Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada), César Camacho, durante a cerimônia, tive a real dimensão do significado dessa medalha, tive a certeza de que ela pode abrir inúmeras portas. Essa premiação pode tirar os alunos do lugar-comum. O que ainda falta na educação pública é valorização e crença. Valorização por parte dos administradores e crença de que vale a pena. Todos aqueles jovens presentes ao evento acreditaram. Também todos os professores que lá estavam acreditaram.

Segundo o senhor César Camacho, é preciso motivar os alunos a participarem dessas competições e explicar a eles o significado delas. É preciso preparar o aluno para esses eventos. Infelizmente, muitos alunos realizam as provas sem saber por que as estão fazendo, e assim realizam-nas de qualquer maneira, sem objetivo. Talentos acabam sendo desperdiçados. É necessário também haver políticas públicas locais que incentivem a participação dos jovens. Quando isso acontece, tudo se torna diferente.

Esses jovens precisam ser homenageados em suas cidades, tanto pela prefeitura quanto pela Secretária de Educação. É preciso mostrar à população o valor da educação. É preciso acreditar na educação.

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Christoff Silva Cirino, premiado na OBMEP.

 

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2 Comentários

  1. Natania disse:

    Por mais que muitas vezes a gente desanime, são alunos assim que fazem o professor seguir em frente. E que ele sonhe alto! Só por sonhar já está fazendo a diferença. Quantos jovens hoje se perdem na apatia do consumismo e não têm sonhos? Pensar no futuro é criar oportunidades para o presente.

  2. José Arnaldo Castro disse:

    Parabéns ao garoto de Tebas/MG Christoff Silva Cirino, premiado na OBMEP. Parabéns também a professora Ana Cristina Miranda Fajardo pelo seu comentário aqui posto, em especial para os dois últimos parágrafos.
    O meu comentário é que os concursos se estendam para todas as matérias e para os dois graus de ensino básico.
    Este é um dos caminhos para tirarmos do fracasso da nossa educação.

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