A Guerra do Paraguai – o início das hostilidades

Publicado em 11 de novembro de 2014 por - História do Brasil

O Brasil se envolveu em episódio sangrento que mais tarde se tornaria um dos motivos para a queda da Monarquia. Na Guerra do Paraguai (1864-1870), o Paraguai lutou conta a Tríplice Aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. Segundo José Murilo de Carvalho foi uma guerra que o Brasil não queria, sobretudo por ser contra o inimigo errado e ao lado do aliado errado – a Argentina.

O Paraguai estava isolado do restante do continente. Francisco Solano Lopes decidiu conquistar terras na região da Bacia do Prata, para obter uma saída para o Oceano Atlântico. No dia 11 de novembro de 1864, os paraguaios apreenderam o navio brasileiro Marquês de Olinda, o que foi o estopim para a guerra. Em seguida, invadiram o Mato Grosso. A Argentina, ao contrário do que Lopes esperava, negou a permissão para as tropas paraguaias atravessarem a Província de Corrientes. Em 1865, Paraguai declarou guerra à Argentina e foi firmado o Tratado da Tríplice Aliança. O exército paraguaio era muito superior ao brasileiro, mais numeroso e bem treinado. As batalhas foram difíceis.

Em 1866, ficou decidido que os escravos brasileiros que lutassem na guerra seriam libertos. O Duque de Caxias assumiu o comando das tropas no mesmo ano, afastando-se em 1869, quando o Conde D’Eu, genro do Imperador, passou a ser  comandante. Os oficiais desprezaram a atuação do “francês” à frente do exército. Lopes foi assassinado pelas tropas brasileiras, pondo fim ao confronto.

Um dos resultados do conflito foi o endividamento do Brasil com a Inglaterra; outra consequência importante foi a organização do exército. Apesar de ter vencido a guerra, o Império ficou enfraquecido. A guerra foi longa e sangrenta demais: a empolgação patriótica do início esvaiu-se em um embate sem fim. O exército, agora fortalecido, não se contentaria mais em ficar em segundo plano na política nacional e não aceitaria mais as intervenções do governo imperial. Começava uma crise que iria culminar com a chegada da República…

O final da guerra do Paraguai anunciou várias rachaduras no dique dos conservadores. Na imprensa, não faltaram jornalistas que compararam o brilho dos festejos com a indiferença com que foram acolhidos “sem um viva, sem um foguete, sem um versinho, os desvalidos que voltaram trazendo em seus mutilados corpos”, as provas de sua dedicação à luta. Os oficiais queixavam-se de “ingratidão cruel” e esquecimento por parte do governo. Louvava-se o príncipe “protetor dos soldados”, o Conde d’Eu que promoveu a abolição dos escravos no Paraguai. A assistência aos militares feridos assim como ao fim da escravidão eram discutidos, sobretudo nos jornais liberais. A guerra, marcada por conflitos sangrentos e batalhas cruéis, não depusera, apenas, o dirigente do Paraguai. Destruiu o Estado e deixou um saldo elevadíssimo de perdas humanas: entre 800.000 e 1.300.000 pessoas. O acordo aliado era jocosamente chamado de “tríplice infâmia”.

-Márcia Pinna Raspanti/Mary del Priore.

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Representação da Guerra do Paraguai.

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3 Comentários

  1. Waldir PiNot disse:

    La fora o nosso rei era reconhecido. Nos viviamos uma democracia coroada – isso diz tudo. Muita gente olha o velho barbudo e diz que ja era… esquecendo que aquele velho havia sido um menino, um adolescente e um adulto capacitadissimo, que soube conduzir equilibradamente o nosso Brasil. Nao tenho duvidas de que eh tolice ignorar a soma dos afazeres daqueles que aspiravam ardentemente ter o poder que o velho detinha, por competencia e merecimento. E a via republicana prometia… eis a real causa do fim da Monarquia. Trocamos ouro por chumbo !

  2. Windston Aquino disse:

    A guerra do Paraguai foi sem dúvida o marco do início do fim do poder dos Bragança nas Terras de Vera Cruz. Ela veio e tornou explícito as deficiências do Estado brasileiro em atender as necessidades e honrar o papel social, tornou clara a visão de um Reino fraco, de faz de conta, que estava “ainda” acontecendo aqui, como um Império Alienígena que com o povo só mantinha o elo da nomenclatura sem qualquer outra ligação plena de obrigação.
    A visão daquele Imperador capaz de conduzir o povo, foi praticamente desnudada durante a guerra, o papel do Imperador foi inicialmente, e somente nesta ocasião, ativo em declarar a defesa, deu moral ao exército e fortaleceu o espírito patriótico nacional, finalmente o povo recebia uma direção de seu monarca!
    Orgulho a todo vapor em defesa da nascitura Pátria!
    Regressou porém D.Pedro II a seu posicionamento natural, esperar que as coisas se integrem como fruta e caroço!
    A guerra era um fiasco, perdera o controle!
    A culpa recaiu no monarca, ratificou-se que dele não haveria esperança, não viria dele uma direção esperada pela elite militar, a consenso o trono estava ocupado mas para efeitos estava vazio no entendimento publico!
    A guerra foi realmente a gota d’água e alguém deveria se pronunciar!

  3. Messias de Morais Junior disse:

    Na verdade o Paraguai e o Uruguai eram cobiçados pela Argentina que queria integra-los a sua confederação e pelo Brasil que mantinha sua influencia sobre o Uruguai para ter o acesso a Bacia do Rio da Prata, caminho importante para o Império chegar a Provincia do Mato Grosso. Quanto ao Paraguai, haviam questões de fronteiras a ser resolvidas.
    Quando o Brasil interveio no Uruguai e a Argentina se manteve passiva, Solano Lopes imaginou que o Paraguai seria o proximo e, cumprindo um acordo anterior, enviou tropas para socorrer os orientais.

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