A EDUCAÇÃO, A CULTURA E A ESCOLA BRASILEIRA

Publicado em 25 de setembro de 2015 por - Educação

Por Natania Nogueira.

Gostaria de começar meu texto citando o trecho de um artigo publicado pelo selo do IPHAN (clique aqui para ler o texto completo), de autoria de Lucia Maria Gonçalves Siebra, Vanessa Louise Batista e Zulmira Áurea Cruz Bomfim:

 “A Educação produz Cultura, gera posicionamentos sociais e políticos, conduz uma sociedade a agir em seus territórios, seja consciente ou alienadamente. Assim, pensar e atuar sob a ótica educativa é fazê-lo na perspectiva de uma produção cultural que valorize e se aproxime da vida existente nos territórios e localidades, em suas especificidades, diversidade e complexidade; é gerar novos valores, novas formas de apropriação do contexto geo-histórico da existência humana no território vivo e dinâmico; é revisitar e atualizar o passado em prol de um futuro pacífico e revitalizador da vida nas cidades, seja em seus espaços centrais ou periféricos, nas dinâmicas industriais (comerciais e financeiras) ou rurais”.

 A cultura é dinâmica, está em constante transformação. Ela é flexível, se reinventa a cada instante. É a partir dela que desenvolvemos habilidades sociais e aprendemos a viver em grupo e a partir dela criamos a nossa identidade. Ela é a “cola” que nos une como um povo, uma nação. Não existe processo educativo distanciado das práticas culturais. Temos que pensar numa educação escolar vinculada a uma educação patrimonial que valorize aspectos culturais da nossa sociedade. O Brasil precisa investir com seriedade em educação e cultura.

Por sua vez, o investimento em educação escolar não deve ser apenas financeiro ou estrutural. É claro, todos querem boas escolas, com bons computadores, livros didáticos, mobília de qualidade. Queremos uma merenda escolar de boa qualidade, afinal, ainda somos um país que abriga milhões de pessoas com baixa renda que, muitas vezes, encontram na escola sua única refeição. Mas é sempre bom levar em consideração que o fator humano é determinante.

Se é uma falácia afirmar que os professores são os únicos responsáveis pelo sucesso da educação, por outro lado é correto dizer que a formação do professor é fundamental para que esse sucesso seja alcançado. E esta formação começa no primeiro ano de escolaridade. Professores, como todos nós, já foram alunos. Bons profissionais são resultado de uma boa educação.

Defino aqui a boa educação como aquela que nos oferece oportunidade de amadurecimento enquanto seres humanos. Uma educação que valoriza a cultura local, que crie pessoas sensíveis, aptas a exercerem seu papel como cidadãos.  Uma educação em que os bens culturais possam ser utilizados não apenas para despertar o interesse dos estudantes para a riqueza e diversidade cultural brasileira, mas para formarem e reafirmarem o sentimento de pertencimento.

Devemos abandonar a ideia de que oferecer educação de qualidade é fornecer a crianças jovens e adultos cargas elevadas de informação, porque apenas informação não produz conhecimento. É preciso informação, sim, mas é preciso também de sensibilidade, de criatividade. É necessário discutir, analisar, concordar, discordar e experimentar, para, por fim produzir conhecimento. Professores criativos foram alunos criativos e formam alunos criativos. Eles não ensinam apenas a contar, ler e escrever. Eles ensinam a viver.

Não existe dentro de uma escola uma disciplina que seja mais ou menos importante que as outras. Todas se complementam. Mas há disciplinas que precisam ser mais valorizadas.  Precisamos de mais aulas de arte, porque a arte ajuda a formar pessoas sensíveis, que desenvolvem outros olhares sobre o lugar onde vivem. São pessoas mais criativas que se tornam profissionais capazes de buscar soluções para problemas e desempenhar melhor suas atividades.

Precisamos valorizar as ciências humanas, elas nos tornam pessoas mais participativas, que valorizam a memória e o patrimônio, seja ele histórico, cultural ou natural. Temos que ter mais leitores, pois bons leitores sabem identificar os discursos que se escondem nas entrelinhas e são pessoas dotadas de habilidades que lhes permitem fazer escolhas melhores.

Precisamos de uma escola mais humana, menos individualista e mais inclusiva, que respeite a diversidade cultural presente em cada um e que a transforme numa unidade a partir da qual possamos construir uma sociedade mais justa.

leitora

A importância da leitura na formação do aluno. (“A Leitora”, de Jean-Honoré Fragonard). 

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