21 filmes sobre História do Brasil Colonial

Publicado em 26 de junho de 2016 por - dicas

          O blog Ensinar História, da professora Joelza Ester Domingues (o qual recomendamos a vista, por sinal) fez uma seleção de 21 filmes sobre História do Brasil Colônia, sempre destacando que o cinema é uma representação artística e não um documento histórico. É um recurso didático interessante para professores e estudantes, desde que seja acompanhado de ampla contextualização histórica. E para aqueles que gostam de História do Brasil essa seleção é uma ótima opção de divertimento.

        Os comentários sobre cada filme são da professora Joelza. Confira:

 

01– Raoni. Direção de Jean-Pierre Dutilleux e Luiz Carlos Saldanha. Brasil, 1978. Documentário sobre o cacique Kaiapó e sua luta pela preservação dos povos e da floresta Amazônica.  O cacique indígena ficou conhecido internacionalmente após viagem pela Europa como o cantor Sting. Em sua luta, Raoni foi recebido por reis e chefes de Estado como o rei Juan Carlos, da Espanha, e o presidente francês François Mitterrand. Vencedor de quatro Kikitos no Festival de Gramado de 1979: Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Filme e Melhor Trilha Sonora. – Indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 1979.

02 – Desmundo. Direção de Alain Fresnot. Brasil, 2003. Baseado no livro homônimo de Ana Miranda, narra a história das órfãs portuguesas que, em 1570, foram enviadas ao Brasil para se casarem com os colonizadores. Inteiramente falado em português arcaico, o filme é apresentado com legendas para ajudar na compreensão. Veja análise do filme aqui.

03 – Hans Staden. Direção de Luis Alberto Pereira. Brasil, 1999. A saga do alemão Hans Staden que, em 1554, caiu prisioneiro dos tupinambás, inimigos dos portugueses, vivendo como cativo por quase dez meses na aldeia de Ubatuba.

04 – O descobrimento do Brasil. Direção de Humberto Mauro, Brasil, 1936. Realizado com o apoio do Instituto Nacional de Cinema (INCE), vinculado ao MEC, o filme se enquadra na política nacionalista de Getúlio Vargas. Contou com a colaboração de Afonso de Taunay, diretor do Museu Paulista, e de Edgar Roquette Pinto, dois intelectuais reconhecidos em seu período. Buscando dar fidelidade ao fato histórico, o filme cita trechos extraídos da Carta de Pero Vaz de Caminha. Para a cena da primeira missa no Brasil, o diretor reproduziu o famoso quadro de Victor Meirelles. A trilha sonora foi composta por Heitor Villa-Lobos mas, na versão em vídeo, lançada em 1997 pela Funarte, foi completamente adulterada.

05 – Anchieta, José do Brasil. Direção de Paulo Cezar Sarraceni. Brasil, 1977. Superprodução do Cinema Novo, o filme narra a vida de José de Anchieta desde criança, passando pela fundação do Colégio de São Paulo, sua convivência com o padre Manuel da Nóbrega até sua morte no Espírito Santo destacando sua luta em favor dos indígenas.  

06 – Pindorama. Direção de Arnaldo Jabor. Brasil, 1970. (102 min). Uma grande alegoria sobre a colonização do Brasil mostrando guerras, índios, negros, colonos e aventureiros. Passado numa cidade imaginária do século XVI, o filme faz uma grande paródia do Brasil da época da ditadura militar. Primeiro longa-metragem de ficção de Arnaldo Jabor.

07 – Como era gostoso o meu francês. Direção de Nelson Pereira dos Santos. Brasil, 1971. No Brasil de 1594, um aventureiro francês cai prisioneiro dos Tupinambás. Enquanto aguarda ser executado, o francês aprende os hábitos dos indígenas e se une a uma índia que lhe fala sobre um tesouro enterrado. Após a batalha com a tribo inimiga, o chefe Cunhambebe marca a execução e o ritual antropofágico para comemorar a vitória.

08– Xica da Silva. Direção de Cacá Diegues. Brasil, 1976. Baseado no livro homônimo de João Felício dos Santos, conta a história da escrava Francisca da Silva (Zezé Motta) e seu relacionamento com João Fernandes de Oliveira (Walmor Chagas), seu senhor, nomeado contratador de diamantes pelo rei de Portugal. No filme, sexo e escravidão são pretextos para falar de relações de poder: submissão e subversão da ordem. Xica subverte a ordem colonial e escravista assim como o espectador que, vivendo em plena ditadura (1976), busca, no filme, viver a possibilidade de subverter a ordem do regime militar.

09 – Ganga Zumba, rei dos Palmares. Direção de Cacá Diegues. Brasil, 1964. Baseado no livro homônimo de João Felício dos Santos, conta a história de Ganga Zumba (Antônio Pitanga), primeiro líder do quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga. Inicia mostrando os escravos na fazenda de cana-de-açúcar e seus planos de fuga e a perseguição que sofrem do capitão do mato Tolentino Rosa. As danças e rituais africanos mostrados pelo filmo foram realizados pelos Filhos de Gandhi e teve ainda a participação do músico Cartola e de Dona Zica da Mangueira.

10 – Quilombo. Direção de Cacá Diegues. Brasil/França, 1984. Em meados do século XVII, escravos fugidos das plantações canavieiras do Nordeste, organizam uma república livre, o quilombo de Palmares. O filme conta com a brilhante atuação do ator Toni Tornado no papel de Ganga Zumba e de Zezé Motta como Dandara, um papel desafiador para quem estava marcada pela inesquecível Xica da Silva. O filme foi premiado no Festival do Cinema de Cartagena, Colômbia, e no de Miami, Estados Unidos. Indicado para a Palma de Ouro, no Festival de Cannes, de 1984.

11 – O caçador de esmeraldas. Direção de Oswaldo de Oliveira. Brasil,  1979. No século XVII, o bandeirante Fernão Dias Paes Leme (Jofre Soares), montou uma bandeira e saiu à procura do legendário Eldorado. Durante sete anos percorreu os sertões, enfrentando ataques de índios, doenças, animais selvagens, deserções. Dos 800 homens que levara consigo, apenas quinze retornaram a São Paulo, trazendo turmalinas que julgavam ser esmeraldas. O filme peca pelos figurinos, mobiliário e construções – exuberantes e limpos demais considerando a pobreza e miséria da capitania de São Paulo.

12 – A Muralha. Direção de Denise Saraceni. Brasil, 1999. Baseada no romance homônimo de Dinah Silveira de Queiróz, esta minisérie foi escrita por Maria Adelaide Amaral e exibida em 51 capítulos pela Rede Globo, de janeiro a março de 2000.  Ambientada no século XVII, conta a saga dos bandeirantes e suas mulheres nas cercanias da vila de São Paulo.  Elenco formado por grandes atores entre eles, Tarcisio Meira, Alessandra Negrini, Mauro Mendonça, Vera Holtz, Leandra Leal, Leonardo Brício, Mateus Nachtergaele, Stênio Garcia e Letícia Sabatella.

13– República Guarani. Direção de Sylvio Back. Brasil, 1981. Documentário que reúne depoimentos de pesquisadores do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai e extensa iconografia sobre os índios guaranis organizados em missões pelos jesuítas entre 1610 e 1767, na região da Bacia do Prata. Aborda o processo de evangelização dos índios, os conflitos com os bandeirantes, a cultura desenvolvida nas missões, as peculiaridades de seu modo de produção e as causas de sua destruição. Imagens das ruínas das construções jesuíticas, de obras de arte sacras, trechos de filmes e iconografia da época são exibidos entre os depoimentos.

 

14 – Yndio do Brasil. Direção de Sylvio Back. Brasil, 1995. Trata-se de uma colagem de trechos de filmes brasileiros e estrangeiros com o objetivo de mostrar como o cinema vê o índio brasileiro. Inclui documentários, filmes de ficção, cinejornais, desenhos animados, comerciais e filmes de propaganda governamental, produzidas entre 1912 e 1983. Cenas de “Como era gostoso meu francês” (1971), “O descobrimento do Brasil” (1937), “Tabu” (1949), “Eine Brasilianische Rapsodie” (Alemanha, 1935), “Jungle Head Hunters” (EUA, 1950) “The Last of rhe bororos” (EUA, 1930), “Curumin” (1978) entre outros,  exibindo imagens ora estereotipadas, ora realistas, idílicas, cômicas ou trágicas.

15 – A Missão (The Mission). Direção de Roland Joffé. Reino Unido, 1986. No final do século XVIII Mendoza, um traficante de escravos, com remorso por ter matado seu irmão num duelo, torna-se um jesuíta. Junto com Gabriel, também um jesuíta contra os colonos que querem escravizar os indígenas. Ótima fotografia e bela trilha sonora. Vencedor da Palma de Ouro em Cannes.

16 – Brava gente brasileira. Direção de Lúcia Murat. Brasil, 2000. Diogo de Castro e Albuquerque, cartógrafo português a serviço da Coroa, viaja pela região do Pantanal, MS, no ano de 1778. No caminho do Forte Coimbra, os soldados que o acompanham estupram e matam um grupo de índias Kadiwéus. O português também participa mas, com remorso, salva a mulher que violentou e a leva até o forte, que está em guerra com os índios. Os dois iniciam um romance e ela engravida. A pintura de corpo dos Kadiwéus, que tanto impressionou Lévi-Strauss, com sua complexidade e simetria, é bem destacada no filme, quando o personagem Diogo, iluminista influenciado por Rousseau, escreve um livro, ilustrado com as pinturas.

17 – Vermelho Brasil. Direção de Sylvain Archambault. Brasil, França, Canadá, Portugal, 2014. A história da expedição de Villegagnon ao Brasil por volta de 1555 e sua luta para criar uma colônia, a chamada França Antártica, nas terras conquistadas pelos portugueses. Filmado em Paraty, no Rio de Janeiro, o filme comete deslizes entre eles, ser falado em inglês (e não em francês, a língua dos invasores). A brasileira Giselle Motta vive a índia Paraguaçu e Pietro Mário, brasileiro de origem italiana, aparece em dois papéis: o de um marinheiro e o de um francês que vive entre os índios.  O ator português Joaquim de Almeida interpreta João da Silva, um lusitano já perfeitamente integrado com os indígenas e que representa o seu país colonizador.

18 – Batalha de Guararapes, o Príncipe de Nassau. Direção de Paulo Thiago. Brasil, 1978. Uma superprodução nacional com a participação de 120 atores e mais de 3 mil figurantes. Teve um forte impacto no meio cultural pernambucano chegando a se discutir sobre um possível polo de cinema. Filmado em Igarassu, Itamaracá e no próprio Monte Guararapes contou com a colaboração do Exército em pleno governo militar. No elenco: José Wilker (João Fernandes Vieira), Jardel Filho (Maurício de Nassau), Roberto Bonfim (Felipe Camarão), José Pimentel (Henrique Dias), Tamara Taxman (Sara Hendricks) entre outros.

19 – Os inconfidentes. Direção de Joaquim Pedro de Andrade. Brasil, 1972. Realizado durante a ditadura militar, o filme é repleto de cenas e diálogos com duplo sentido, que fazem uma crítica à ditadura. Os diálogos foram baseados nos Autos da Devassa e nos versos de Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto e Cecília Meireles. Tiradentes (José Wilker) é mostrado como um herói que teria manipulado os demais companheiros, sendo o único do grupo com um sentido prático e que realmente queria fazer a revolução.

20 – Tiradentes. Direção de Oswaldo Caldeira. Brasil, 1998. Segundo o filme, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (Humberto Martins), foi condenado à morte por ser o único dos revoltosos que não tinha grandes posses. Por outro lado, grande parte da elite de  Ouro Preto estava envolvida no levante, inclusive o próprio visconde de Barbacena, mas a maioria não foi processada e nem sequer presa.

21 – Uma história de amor e fúria. Direção de Luiz Bolognesi. Brasil, 2013. Uma animação com linguagem de HQ, que retrata o amor entre Abeguar, um herói Tupinambá imortal e Janaína em um espaço temporal de seis séculos que passa por quatro momentos da história do Brasil: em 1566, o confronto com os colonizadores; em 1825, durante a Balaiada (em que o herói é o próprio Balaio); 1968, a luta contra o Regime Militar e o futuro, em 2096, quando o país enfrenta sérios problemas com a falta de água. Selton Mello e Camila Pitanga dublam os protagonistas, e Rodrigo Santoro, o chefe indígena e um guerrilheiro.

FONTE: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/

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2 Comentários

  1. Jeová Lemos Medim disse:

    O cinema também pode ser considerado documento histórico, como é possível perceber, dentre outros trabalhos, em “O Filme: uma contra-análise da sociedade?” do historiador francês Marc Ferro

    Por sinal, o blog é muitíssimo interessante. Obrigado pelo link!

    • Márcia disse:

      Olá, Jeová. Sim, sem dúvida, o filme pode ser documento histórico. Neste contexto específico, quisemos destacar que o cinema mostra diferentes visões do período colonial. Não são documentos daquela época, mas dizem muito sobre a período em que foram produzidos. É importante fazer essa ressalva. Obrigada!

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