O Carnaval já existia muito antes do descobrimento do Brasil

Apesar de termos a impressão de que festa é tipicamente brasileira, folia era comemorada desde os tempos da Babilônia. Confira o comentários de Mary del Priore no programa “Um Rio de Histórias”, da rádio CBN:

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Mary del Priore: todas às segundas-feiras, às 10h 30, na CBN.

O Carnaval nas primeiras décadas do século XX

Com uma seleção de fotografias produzidas nas primeiras décadas do século XX, a Brasiliana Fotográfica convida seus leitores para uma viagem rumo aos carnavais de antigamente. São registros dos festejos carnavalescos feitos por A. Filgueiras, Aliwu, Augusto Malta, Guilherme Santos e por fotógrafos ainda não identificados. O carnaval brasileiro é o maior e mais conhecido do mundo. Comemorado em todo o país nas ruas e nos clubes, nos blocos carnavalescos e nos desfiles de escolas de samba, com diversos ritmos musicais, é a festa mais popular do Brasil.

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Acervo Brasiliana Fotográfica.

Carnaval: da umbigada ao trio elétrico

O carnaval chegou ao Brasil colonial com os navegadores portugueses e, naqueles tempos, era chamado de Entrudo: nele, se atiravam frutas de cera, limões ou laranjas, repletos de água de cheiro nos passantes, além de se pintar à cara com farinha ou pó branco. Seringas enormes, cheias de líquido colorido, também eram esvaziadas sobre  as pessoas. Homens, mulheres e crianças, livres e escravos, brincavam juntos nestes dias de alegria. Nas festas, de modo geral, havia todos os tipos de excessos, inclusive sexuais.

Além da comida e da bebida, música e dança animavam nossos antepassados. Os batuques africanos influenciaram muito a nossa identidade musical. Danças, como o calundu ou lundu, escandalizavam e surpreendiam quem vinha de fora. Quanto ao samba, existem várias versões sobre sua origem, sendo que uma das mais aceitas relaciona o ritmo à palavra “semba” ou “umbigada”, um gesto coreográfico presente em diversos tipos de dança da época.

Viajantes estrangeiros apontaram a diferença entre o nosso carnaval e o deles. O pintor francês Debret foi um que comentou: “O Carnaval no Rio e em todas as províncias do Brasil não lembra nem os bailes nem os cordões barulhentos de mascarados que, na Europa, comparecem a pé ou de carro nas ruas mais frequentadas”. A ideia, aqui, era se inundar de água. E muitas vezes, tais banhos eram brutais, como se queixaram alguns, posteriormente resfriados!

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Cena de carnaval, de Debret.

Na primeira metade do século XIX, o carnaval ganhou um empurrão. Em 1840 realizou-se o primeiro baile aberto ao público, no hotel Itália, na Corte. Alguns anos depois, o português José Paredes saiu às ruas tocando um bumbo e criando o personagem do Zé Pereira. A rua do Ouvidor, maior artéria da capital, era invadida por cortejos que passavam por baixo de arcos decorados o oferecidos por “homens de negócios”, ricos da cidade. Tais grupos fantasiados seguiam cantando versos cômicos, em que satirizavam os fatos políticos do ano. Nas sacadas, belas damas e cavalheiros fantasiados, aplaudiam. Foliões de rua se juntavam aos blocos e aos ranchos que cantavam e dançavam ao som de bumbos, harmônicas e pandeiros. A primeira sociedade carnavalesca, surgiu em 1855; antes chamada de Zuavos Carnavalescos, depois se tornou os Tenentes do Diabo. Em 1862, o caricaturista Henrique Fleiuss estampou, na revista Semana Illustrada, o desenho do Rei Momo. Até Machado de Assis escreveu sobre a festa.

No século XX, os ranchos ganharam influência iorubá. Nos bairros de Botafogo ou Catete desfilavam baianas e pastoras tocando castanholas. Multiplicaram-se os rancheiros nos grupos intitulados Ameno Resedá ou Flor do Abacate. Os sucessos do teatro de revista e da ópera também davam o tom dos enredos cantados na rua. A gravação do primeiro samba de sucesso, em 1917, o “Pelo telefone”, associou o samba ao maxixe e ao lundu, tornando-se o maior sucesso. Em 1932, o prefeito do Rio de Janeiro, Pedro Ernesto deu início ao processo de oficialização do carnaval das chamadas Escolas, criadas por Tia Ciata, Sinhô e outros sambistas dos bairros do Estácio e Mangueira, promovendo os desfiles e prêmios para os mesmos. Em 1949, a Rádio Continental fez a primeira transmissão do Carnaval carioca. Daí para frente, a festa não parou mais. Em 1950, Dodô e Osmar inventaram o duo elétrico e, em 1994, o sambódromo do Rio se tornou patrimônio Cultural do Estado.

Hoje, além dos tradicionais desfiles das escolas de samba e dos bailes fechados, temos os animados blocos de rua que reúnem multidões por todo o país em um animado carnaval de rua. – Texto de Mary del Priore e Márcia Pinna Raspanti.

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O lundu, por Rugendas (1835).

Segredos de Família

Dia 27 de fevereiro, às 14h, o Museu da Imigração promove uma conversa sobre como pesquisar da melhor maneira a documentação da antiga Hospedaria de Imigrantes, com o objetivo de ajudar famílias a encontrarem informações sobre parentes no acervo digital do Museu da Imigração.

A atividade é ‪#‎gratuita‬. Inscreva-se pelo e-mail inscricao@museudaimigracao.org.br

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Fonte: Museu da Imigração

Brasil Imperial: acervo digitalizado da Biblioteca de NY

A Biblioteca Pública de Nova York digitalizou cerca de 180 mil imagens de seu acervo e disponibilizou fotos e ilustrações – algumas inéditas em plataforma digital – do Brasil na era imperial. São imagens de livros antigos que mostram escravos, índios, soldados, fauna e flora, nobreza e algumas cenas do cotidiano das metrópoles do país nos séculos 19 e 20.

Confira: http://digitalcollections.nypl.org/search/index?utf8=%E2%9C%93&keywords=brazil#

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Retrato inédito de D. Pedro II; imperatriz Teresa Cristina.

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Trabalhadores em mina de diamante (1910); negros brasileiros no rio São Francisco (acima).

 

Fonte:JornalNexo

História, o fim? Não. Só o crepúsculo.

No momento em que se debate o conteúdo dos programas de história, um livro com ideias e título provocador convida à reflexão: O crepúsculo da História. Com ironia, muitíssima competência e seriedade idem, seu autor, Shlomo Sand, se pergunta, se os dias de Clio (a musa grega da História) não estariam contados.  Nascido num campo de refugiados em 1946 e criado em Israel a partir de dois anos, Sand que é professor da Universidade de Tel-Aviv, também escreveu o polêmico “Como o povo judeu foi inventado”.

O crepúsculo…” é notável pela pertinência das questões e, sobretudo, das respostas: toda a narrativa histórica não é marcada pela ideologia? As sensibilidades e tendências políticas não interferem no tema das pesquisas e no ensino de história? E nessas condições, é possível existir uma verdade histórica moralmente neutra e dita científica?

Apoiado num vasto painel que cobre da Antiguidade aos nossos dias, ele denuncia os métodos com os quais os historiadores europeus construíram os mitos nacionais modernos ou, ainda, a tendência atual de fazer do historiador um sacerdote da memória oficial ou um forjador da identidade nacional. De fato, não há novidade em dizer que a história tem por tarefa fornecer modelos para as elites políticas. Afinal, ela é um tipo de gênero literário que alimenta suas visões de mundo, e é sempre escrita do lado do poder.

Com o nascimento dos Estados-Nação no século XIX, e a institucionalização da profissão de historiador nas universidades, a disciplina História se tornou nevrálgica para a pedagogia do Estado. Coube-lhe falar de suas origens, alimentar suas glórias, mas, também se perguntar de que forma o historiador sobreviveria sem o Estado. Com talento sob medida para a polêmica Sand resume: “os historiadores […] são para a memória nacional o que os cultivadores de ópio […] são para os consumidores de droga: eles fornecem o essencial da mercadoria”.

Para construir uma nação, são necessários vários parâmetros: uma língua comum, um inimigo comum e, mais importante, uma memória coletiva. Ou seja, é preciso acreditar que não somos um coletivo de gente, apenas, hoje. Somos um coletivo desde sempre. Teria sido sempre assim. Para provar tal afirmativa, entram o papel e a função da História.

Para começar, é preciso analisar todos os ângulos de qualquer questão, de preferência, escapando, das interpretações míticas. Fácil? Não. Vejamos um exemplo de história do tempo presente: se compararmos as informações das mídias acadêmicas americanas, russas, inglesas, francesas, sírias, turcas, iranianas, líbias, israelenses ou libanesas, veremos como é quase impossível se ter uma ideia clara sobre o conflito no Oriente Médio.  Além da diversidade contraditória das informações, é preciso acumular os testemunhos dos que vivem ou fogem desta realidade. E ainda, levar em conta, “quem fala”. A qual classe social, credo ou cor pertence o historiador que nos comunica tais informações? Na Idade Média, esse papel seria da Igreja. E mais recentemente, da burguesia. Frente as perguntas de Shlomo Sand, ficamos nos perguntando se ainda é possível ensinar históri a, e até duvidamos do que aprendemos nos livros escolares. A quem interessaria o sentimento nativista? Afinal, existiria uma verdade histórica ou ela é apenas uma fantástica narrativa de ficção servindo ora aqui ora ali?

O estudo cada vez mais aprofundado de textos, um olhar incansável sobre as fontes documentais, uma interrogação pluridisciplinar nos permitiria uma aproximação não somente dos fatos, mas também de sua manipulação sistemática. Ao final do livro, Sand faz uma confissão desoladora: depois de quarenta anos de ensino de história, « para que ainda estudar história? Não por devoção à memória coletiva, mas para melhor se libertar de um passado fabricado e se virar na direção do futuro ».

Bom para pensar…

Texto de Mary del Priore.

O livro pode ser comprado através das livrarias XXX. Crepuscule de L´Histoire é publicado pela Editora Flamarion e custa 23,90 Euros.

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Clio, de Pierre Mignard (século XVII).

 

Esporte atraía apostas no Rio do século XIX

Mary del Priore fala sobre a popularidade das corridas de cavalos no período. Rinhas de galo e lutas de boxe também eram meios de se ganhar dinheiro apostando. Confira o programa “Um Rio de Histórias”, que vai ao ar pela CBN, todas as segundas-feiras, a partir das 10 h e 30 minutos.

Mary del Priore – apostas no século XIX

 

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Enquete: você é contra ou a favor da reedição de “Minha Luta”, de Adolf Hitler?

“Mein Kampf” ou “Minha Luta”, em português, é uma obra escrita por Adolf Hitler, em que ele coloca as ideias adotadas pelos nazistas, que causaram tanto horror durante a Segunda Guerra Mundial. Os direitos do livro, que pertenciam ao autor, foram entregues ao Estado da Baviera, que não reeditou a obra, nem permitiu que outros o fizessem. Entretanto, no dia 31 de dezembro do ano passado, os direitos autorais caíram em domínio público, o que possibilita novas edições.

Não é preciso dizer que o fato tem causado grande polêmica em diversos países. No Brasil, a Editora Geração Editorial está lançando uma edição comentada, que já gera – como era esperado – muitas controvérsias. Já houve, inclusive, a apreensão de exemplares pelo Ministério Público de alguns estados. Especialistas alertam para o perigo que a circulação de uma obra abertamente racista pode trazer. Muitos grupos neonazistas se inspiram até hoje nas ideias de “Minha Luta”. Outros, porém, defendem a importância do conhecimento do texto como documento histórico.

Todo cuidado é pouco quando o tema é nazismo, ainda mais em tempos em que as tensões raciais e a xenofobia estão em ascensão. A questão é bastante delicada principalmente para nós, historiadores, e merece ser discutida com seriedade. E você, o que acha? Queremos ouvir sua opinião. – Texto de Márcia Pinna Raspanti.

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Aplicativo gratuito: Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa

Agora não tem mais jeito: as regra do Novo Acordo Ortográfico já estão valendo desde o dia 1º de janeiro. Para ajudar aqueles que ainda tem dúvidas, a Academia Brasileira de Letras (ABL) lançou no ano passado um aplicativo grátis de consulta ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). Disponível para versões em Smartphones e tablets, e com quase 380 mil verbetes que já seguem as novas regras previstas no Acordo Ortográfico o aplicativo pode ser baixado pelo Android ou iOS.

A Academia Brasileira de Letras também mantém o espaço online ABL Responde para perguntas sobre gramática ou ortografia. De acordo com o presidente da ABL, aproximadamente 1,6 mil perguntas sobre gramática ou ortografia são feitas mensalmente neste espaço online.

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Informações: Canal do Ensino.