Vagas para professores de História

Vagas para Docente de História:

- Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)

- Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

- Universidade de Pernambuco (UPE)

- Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais

Informações: https://www.linkedin.com/company/anpuh

Fonte: Anpuh.

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“A Leitora”, de Jean-Honoré Fragonard.

A sociedade das aparências: um retrato do Brasil Colonial

Quando os portugueses aqui chegaram, trouxeram com eles um ideal de sociedade europeia, fortemente hierarquizada, baseada na posse da terra e nos títulos nobiliárquicos. A Coroa Portuguesa e a Igreja foram as responsáveis pela implementação desse modelo idealizado, que obviamente sofreu uma série de influências, transformações e adaptações. Como a História é feita de permanências e mudanças, podemos observar que alguns padrões de pensamento continuam presentes até os dias de hoje. E hoje continuamos a dar mais importância às aparências que à essência? Temos horror ao conflito? Vale a pena refletir.

Em 1711, o jesuíta italiano João Antônio Andreoni publicava “Cultura e Opulência do Brasil”, sob o pseudônimo de André João Antonil. A obra, dedicada aos senhores de engenho, trazia conselhos práticos de como manter a hierarquia colonial e nos mostra um pouco da vida dos cativos e de como a escravidão era encarada na época. O texto de Antonil se tornou um dos documentos mais importantes do período, e sua obra vai nos ajudar a entender melhor a sociedade da época.

Antonil descreve minuciosamente o processo de produção do açúcar, indica os trabalhadores necessários para cada etapa do processo e ainda fala sobre os objetos e ferramentas utilizados. As obrigações e responsabilidades do senhor de engenho e os cuidados com a compra das terras, suas relações com os lavradores de cana, os empregados, os escravos, a família e os mercadores – toda essa dinâmica é narrada pelo autor. Os conselhos que visam a adequada administração do engenho são de ordem moral e prática:

              ”Para os vadios, tenha enxadas e fouces, e se se quiserem deter no engenho, mande-lhes dizer pelo feitor que, trabalhando, lhes pagarão seu jornal. E, desta sorte, ou seguirão seu caminho, ou de vadios se farão jornaleiros

 Antonil afirma que as verdadeiras riquezas do Brasil são as culturas do açúcar e do tabaco, e a criação de gado. As minas não passam de ilusão e só atiçam a cobiça dos homens:

             “Nem há pessoa prudente que não confesse haver Deus permitido que se descubra nas minas tanto ouro para castigar com ele ao Brasil, assim como está castigando no mesmo tempo tão abundante de guerras, aos europeus com o ferro.”

A observação e descrição da produção do açúcar, desde o plantio da cana até o encaixotamento e venda do produto, prende-se aos ensinamentos de História Natural, em voga nos séculos XVI e XVII. Um dos modelos seguidos é Histórias da Natureza, de Plínio, o Velho. A obra,  formada por 37 livros, ordena e classifica os elementos ditos “naturais”, dentre os quais o homem e suas criações, estão incluídos. A ideia de uma sociedade ordenada e classificada pode ser sentida na obra de Antonil, quando este descreve as funções de cada um dentro do engenho.

Plínio classifica as partes do corpo humano, descrevendo e mostrando a importância de cada órgão. O cérebro é o primeiro a ser comentado e “coroa o corpo e rege o espírito”, seguindo-se as orelhas, os olhos, o coração, o diafragma e a pele. O engenho também é retratado de maneira semelhante: o senhor é a cabeça, os feitores são os braços e os escravos, as mãos e os pés.

Neste mundo fortemente hierarquizado, a paz e a harmonia poderiam ser alcançadas apenas se os grupos sociais mantivessem-se dentro de seus limites. O conflito deveria ser evitado, pois, implicaria a quebra da hierarquia estabelecida, como ensinou São Tomás de Aquino, em Opúsculo sobre o governo dos Príncipes. O Príncipe deveria ser justo com todos, dando a cada um o que lhe fosse merecido. Deveria ser virtuoso e parecer virtuoso.

Dentro do universo dos engenhos, as relações deveriam seguir os mesmos moldes. O senhor deveria evitar a soberba e a altivez no trato com os lavradores de cana; o feitor deveria cuidar da disciplina dos escravos sem excesso de violência; se o feitor se excedesse, deveria ser castigado longe dos olhos dos escravos, mantendo assim a autoridade do senhor perante o feitor e a autoridade deste perante o escravo.

É preciso recorrer às práticas barrocas de representação, o discreto e o vulgar, para se entender a noção de autoridade. O discreto difere socialmente do vulgar, sendo hierarquicamente superior, demonstrando prudência e, dissimulando se necessário. O vulgar não sabe se portar publicamente, é inferior e hierarquicamente pior. O importante era evitar a murmuração e manter o decoro. A hierarquia não podia ser quebrada: ser e parecer se confundiam nesta sociedade. Os inferiores não podiam de forma alguma questionar a autoridade dos superiores, por isto, era imprescindível que estes fossem discretos.

No engenho a situação era a mesma: o senhor deveria se esforçar em manter a sua autoridade máxima perante a família, os empregados e os escravos. Dentro da hierarquia interna do engenho, o papel de cada um deveria ser firmemente delimitado bem como “a autoridade há de ser bem ordenada e dependente, não absoluta, de sorte que os menores se ajam com subordinação ao maior e todos ao senhor a quem servem.”

Por isso, o senhor nunca deveria repreender o feitor na frente dos escravos ou de seus subordinados. E também não poderia tratar com desprezo os lavradores de cana ou os vizinhos, que, afinal, eram membros da elite colonial e poderiam se revoltar contra o senhor de engenho.

Antonil descreve o engenho como um retrato em menor escala do universo colonial em geral. De forma idealizada, procurava mostrar que a sociedade poderia ser harmoniosa e sem tensões, desde que fosse fundamentada na hieraquia e nos valores cristãos. Como São Tomás de Aquino enfatizou, a sociedade busca sempre o bem comum e só chegará a ele se for bem conduzida e organizada.

- Márcia Pinna Raspanti.

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Debret, já no século XIX, nos mostra cenas do cotidiano dessa sociedade forjada pela hierarquia e pelas aparências.

Museu da Imigração inaugura exposição ‘Retratos Imigrantes’

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Com apoio do Consulado Geral dos Estados Unidos da América em São Paulo, a exposição Retratos Imigrantes promove um intercâmbio entre os acervos iconográficos do Museu da Imigração – instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo – … Continuar lendo

Documentação do Arquivo Histórico Ultramarino permite estudar história da África Atlântica

Alguns séculos passados e é hoje possível reconstruir, ainda que parcialmente, a história e as relações entre os portugueses e os povos das antigas colônias africanas portuguesas e ficar a conhecer as dinâmicas estabelecidas entre territórios separados fisicamente, mas mesmo assim ligados pelo Oceano Atlântico.

Esta história é hoje possível conhecer com maior detalhe graças à documentação estudada no projeto de investigação “África Atlântica – da documentação ao conhecimento (séculos XVII-XIX)”, do Arquivo Histórico Ultramarino (AHU), do Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT), com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

Ana Canas, Diretora do AHU, explica que o projeto teve como objetivo «contribuir para o estudo da dinâmica da África Atlântica entre meados do século XVII e 1833, valorizando o património documental do Arquivo Histórico Ultramarino com ela relacionado».

Ana Canas, Diretora do Arquivo Histórico Ultramarino, IICT
Ana Canas, Diretora do Arquivo Histórico Ultramarino, IICT
© DR

Mais informações (inclusive o vídeo sobre a exposição) no link abaixo:

http://www.tvciencia.pt/tvcnot/pagnot/tvcnot03.asp?codpub=37&codnot=59

Fonte: TV Ciência.

 

Coleção Sociedade de Estudos Brasileiros de Dom Pedro II

Coleção Sociedade de Estudos Brasileiros de Dom Pedro II chegou ao Museu Imperial através de processo de doação ocorrido no ano de 1968, sendo composta por 19 itens que fazem parte do acervo museológico.

No conjunto de peças que formam esta coleção constam iconografias, esculturas, insígnias, viaturas e mobiliário.

Destacam-se telas a óleo retratando dom Pedro II, bustos esculpidos em mármore, uma bandeira do império e a caixa da carruagem do imperador, entre outros objetos.

Confira:

http://187.16.250.90:10358/handle/acervo/2225

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D. Pedro II (detalhe da obra de Pedro Américo).

 

Ele poderia ter sido D. Pedro III

Muitos desejavam ver Pedro Augusto de Saxe Coburgo, filho de D. Leopoldina, como imperador do Brasil, mas seu destino seria diferente

Um personagem que foi importante como forte candidato no apagar das luzes do Império, hoje está quase totalmente esquecido, não fosse o notável livro de Mary Del Priore O príncipe maldito (ed. Objetiva, 2006). Era o belo jovem príncipe D. Pedro Augusto de Saxe Coburgo, neto de D. Pedro II e filho de sua segunda filha, d. Leopoldina, casada com o príncipe Augusto (Gusty) Saxe Coburgo. No entanto, o título de “príncipe maldito” parece impróprio, já que ele nada fez que provocasse maldição, nem maldades.

Confira o artigo de Vasco Mariz para a Revista História Viva:

http://bit.ly/1Bbdedd

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Pedro Augusto no colo da mãe, dona Leopoldina, e ao lado do pai, Auguste de Saxe Coburgo, em 1867; Pedro Augusto entre D. Pedro II e Teresa Cristina, em 1887.

PUC – Campinas oferece curso grátis de Espanhol

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Depois do inglês, o idioma mais procurado nas escolas e cursos especializados é o espanhol. Isso porque, quem é familiarizado com a língua, vê suas chances no mercado de trabalho latino crescerem bastante. Se você se interessa em aprender espanhol, anote essa. A PUC-Campinas está … Continuar lendo

Mais sobre a Revolta dos Malês (1835)

Mais um vídeo sobre a Revolta dos Malês, que ocorreu em Salvador, em janeiro de 1835. Desta vez, o material aborda o levante propriamente dito. Já divulgamos o primeiro vídeo da série que discutia as causas da revolta.

http://www.academiadehistoria.com.br/a-revolta-dos-males-23-o-levante/

Fonte: Academia de História.

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Johann Moritz Rugendas.