FGV lança site para estudantes do Ensino Médio

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) lançou um site gratuito com foco no Ensino Médio. No portal é possível encontrar aulas online e um banco com mais de 4 mil questões que seguem o modelo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em diversas áreas.

http://canaldoensino.com.br/blog/fgv-oferece-aulas-online-gratuitas-para-o-enem

Eleições: guerrilheiros e guerrilheiras

Um tema que voltou a ser discutido nas eleições de 2014 é o da luta armada, nos tempos da ditadura militar (1964-1985). Apesar de ser uma realidade distante, não é de se estranhar que o passado seja lembrado: de um lado, a presidente Dilma Rousseff (PT), que participou de grupos guerrilheiros (COLINA e VAR-Palmares); no campo oposto, o candidato a vice na chapa do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira, que militou na ALN. Eles e muitos outros jovens decidiam pegar em armas para enfrentar a repressão que dominava o Brasil. A luta armada é um dos assuntos mais controversos da história recente do país e ainda rende acalorados debates. 

A direção central do PCB, logo após o Golpe Militar de 1964, dá início à autocrítica diante do esquerdismo e condena a resistência armada. Todavia, tal postura não foi unânime, fazendo com que dirigentes abandonassem o partido, como nos casos de Carlos Marighella (indo para a Aliança Nacional Libertadora – ANL) e Apolônio
de Carvalho (indo para o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário –
PCBR). Critica-se, então, o que se denominava etapismo, uma estratégia
que prega a revolução por etapas, cabendo ao PCB apoiar a burguesia
no processo de constituição de uma sociedade liberal, antifeudal e antiimperialista,
deixando para um futuro distante a luta pela implantação do  socialismo. Para os dissidentes, a estratégia do PCB facilitava a implantação da ditadura, pois subordinava o movimento operário aos acordos de cúpula com as lideranças populistas. Avalia-se que a burguesia depende de sua associação com a agricultura de exportação e com o capitalismo internacional, não havendo por parte do empresariado qualquer inclinação pela ruptura com as classes dominantes. O populismo radical de Goulart representa, quando muito, aspirações de segmentos minoritários e mais atrasados da burguesia nacional.

A ausência de resistência ao Golpe Militar faz esse tipo de interpretação ganhar adeptos. Entre 1965 e 1967, amplia-se o número de dissidências atingindo até organizações formadas anos antes. Várias delas tinham raízes internacionais e não eram um fenômeno particularmente novo. No Brasil, desde os anos 1930, movimentos trotskistas dão origem a partidos rivais do PCB, como a Liga Comunista Internacionalista ou o Partido Operário Leninista. Com o surgimento de
novos países comunistas, que, às vezes, não aceitam as mudanças de
rumo da política soviética, as dissidências proliferam. No início dos anos
1960, além do PCB e do Partido Operário Revolucionário Trotskista
(PORT), havia o Partido Comunista do Brasil (PC do B) – primeiro de
inspiração chinesa e depois albanesa –, a Organização Revolucionária
Marxista – Política Operária (Polop) e, por fim, a Ação Popular (AP),
moderada, pelo menos em sua fase inicial, e vinculada ao que veio a ser
conhecido como catolicismo progressista.

Nesses grupos nascem propostas de luta armada. Há, sem dúvida, inúmeros matizes entre uma tendência política e outra. No entanto, a perspectiva de uma revolução iminente parece ser um traço comum às diversas siglas. Paradoxalmente, esse engajamento radical mantém vínculos com algumas ideias do desprezado PCB e do nacionalismo desenvolvimentista. Generaliza-se, por exemplo, a noção de que o capitalismo brasileiro entrara em uma fase de estagnação. A não realização das reformas de base é responsável por isso. Acreditava-se que as classes dominantes dependiam de um governo ditatorial para continuar existindo, sendo em vão a luta pelo retorno à democracia.

A novidade do período é que os grupos revolucionários recém-formados
recrutam militantes predominantemente na classe média. Havia
ainda, em partidos que aderiam à luta armada, o predomínio de
estudantes e professores universitários. Esses segmentos, segundo os
processos da justiça militar, respondem por 80% do Movimento de
Libertação Popular (Molipo), 55% do Movimento Revolucionário 8 de
Outubro (MR-8) e 53% do Comando de Libertação Nacional (Colina), para mencionarmos apenas alguns exemplos.

Outro dado importante é a predominância de menores de 25 anos nos diversos agrupamentos revolucionários. O aparecimento de numerosos jovens, não necessariamente pobres ou miseráveis, dispostos a lutar contra os poderes constituídos não é um fenômeno exclusivamente brasileiro. De certa maneira, isso traduz certas mudanças que ocorriam na juventude em escala mundial. Durante a maior parte do século XX, o ensino universitário foi acessível a um grupo extremamente reduzido; nos anos 1960, porém, essa situação começa a se modificar.

O caso brasileiro é típico: entre 1948 e 1968, o número de estudantes
universitários passa de 34 mil para 258 mil; no mesmo período em que a
população brasileira dobra, o número de jovens que frequentavam
universidades aumenta oito vezes. O crescimento desse segmento tornao
cada vez mais capaz de influenciar politicamente a sociedade.
Tão importante quanto essa mudança é a alteração do quadro
político mundial. A partir dos anos 1940, o mundo é sacudido por
revoluções nacionalistas na Ásia e na África. O impossível parecia
ocorrer: países pobres do Terceiro Mundo conseguem vencer antigos
colonizadores europeus. Coroando essas transformações, em 1959, um
pequeno grupo de guerrilheiros faz uma revolução em Cuba, enfrentando
a oposição do tradicional partido comunista local e dos Estados Unidos,
que na época desfruta o título de maior potência econômica e militar do
mundo.

Mais ainda: a revolução é um fenômeno da alta cultura. Entre seus
partidários estão refinados romancistas, filósofos e artistas europeus e
norte-americanos. No Brasil, algumas das produções culturais
extraordinariamente bem-sucedidas – como o cinema de Glauber Rocha - revelam o lado positivo da ruptura radical com o passado. Ao longo dos anos 1960, surge uma valorização de um novo nacionalismo  que também representava
uma resposta à forte influência cultural norte–americana, interpretada
como uma ameaça à identidade nacional, pois, ao contrário da
europeização do século precedente, não se restringia a grupos de elites,
destinando-se ao conjunto da população.

Vista a partir de hoje, a luta armada parece algo politicamente
ingênuo ou até incompreensível, mas, na época, é fortemente marcada
pelo sentimento nacional e de justiça social, em um mundo onde
revoluções que pareciam impossíveis estavam ocorrendo. Como, porém,
se organiza essa luta? Em primeiro lugar, é necessário lembrar que
defender a revolução imediata nem sempre implica pegar em armas. Os
agrupamentos de esquerda que assim agiram, geralmente adotaram os
princípios do foquismo, teoria elaborada a partir do exemplo da revolução
cubana, em que um pequeno grupo guerrilheiro inicia um processo
revolucionário no campo.

Para tanto, primeiramente, são necessários recursos financeiros. Em
1967, inicia-se uma série de roubos a bancos por parte dos grupos
guerrilheiros, processo que se arrasta até o início dos anos 1970 e
resulta em cerca de trezentos assaltos (ou, como se dizia na época,
desapropriações revolucionárias), com a arrecadação de mais de 2
milhões de dólares. Na prática, a guerrilha – salvo no caso do Araguaia –
não se estende ao campo. À medida que o sistema repressivo realiza
prisões, o emprego sistemático da tortura faz com que mais e mais
revolucionários sejam capturados. Em 1969, a própria dinâmica do
movimento guerrilheiro é alterada, passando a ter como objetivo resgatar
os companheiros das masmorras militares. Os assaltos a bancos vão
dando lugar a sequestros – dentre os quais os dos embaixadores norteamericano,
alemão e suíço no Brasil –, cujos resgates são a libertação de prisioneiros políticos.

Alegando a ameaça comunista e acentuando uma tendência de endurecimento, que vinha desde o ano anterior – com a eleição do general Costa e Silva em 1966 –, o governo militar se torna cada vez mais ditatorial. Nesse contexto é fortalecida a doutrina de segurança nacional, que torna prioridade entre as forças armadas a luta contra a ameaça interna, e não mais a defesa contra inimigos
estrangeiros. Assiste-se também à ampliação das redes de espionagem
e de repressão. Paralelamente ao Serviço Nacional de Informações
(SNI), criado em 1964, atuam agora outras organizações, como o Centro
de Informações da Marinha (Cenimar), a Operação Bandeirantes (Oban)
e o Destacamento de Operações de Informações – Centro de
Operações de Defesa Interna (DOI-Codi).

Até a oposição legal deixa de ser aceita. A Frente Ampla composta por Carlos Lacerda e João Goulart, que defende bandeiras democráticas, como eleições diretas, anistia e nova Constituição, é proibida em 1968. A recessão e o declínio do poder de compra dos salários fazem, por sua vez, com que o movimento sindical renasça. Greves envolvendo milhares de operários ocorrem em Minas Gerais e
São Paulo. No mesmo período, manifestações estudantis cruzam o país,
culminando com a Passeata dos 100 mil em 26 de agosto de 1968. A
resposta dos militares: maior endurecimento do regime. Em 13 de
dezembro é assinado o AI-5: com ele, o presidente da República passa a
poder, a bel-prazer, fechar desde Câmaras de Vereadores até o próprio
Congresso Nacional, nomear interventores para qualquer cargo executivo,
cassar os direitos políticos de qualquer cidadão e também suspender o
recurso ao habeas corpus.

Mas se 1968 é o ano do auge repressivo da ditadura, é também o da
retomada do crescimento econômico. O modelo econômico adotado
rende finalmente seus frutos e o Brasil, até 1973, apresenta taxas
bastante elevadas de desenvolvimento industrial, superando mesmo os
10% ao ano. Fala-se em milagre econômico, mas um milagre que, alguns
anos mais tarde, cobraria seu preço. O aumento dos investimentos das multinacionais, como se previa desde os anos 1950, não é acompanhado pelo crescimento do setor de insumos industriais e de energia, e o resultado disso é a necessidade de importar esses produtos e petróleo. A economia brasileira entra aí em um labirinto de endividamento.

O milagre econômico também amplia, em relação aos padrões da
economia brasileira da época, o mercado de produtos industriais de
custo elevado, como os automóveis. Tal decisão gera um quadro
perverso, no qual a concentração de renda torna-se necessária para
garantir o funcionamento do sistema econômico. Bem ou mal, porém, a
ditadura conta com algum grau de aprovação popular. No início dos anos
1970, embalados pela vitória da Arena, partido de sustentação do
governo, os militares empenham-se em campanha de legitimação do
novo regime. O general Emílio Garrastazu Médici, presidente empossado
em outubro de 1969, lança a campanha “Brasil, grande potência” e também, com a abertura da Transamazônica, tenta reviver a euforia da época da construção de Brasília.

Em 1974, as consequências mundiais do aumento do custo do petróleo,associadas à política irresponsável de endividamento externo, lançam a economia brasileira novamente em crise. Nessa época, os antigos grupos vinculados à ala legalista das forças armadas recuperam o terreno perdido. A eleição, no referido ano, do general Ernesto Geisel é considerada um marco dessa transição. O novo
presidente defende desde o primeiro dia de posse uma abertura política
“lenta, segura e gradual”. Para tanto, enfrenta os grupos da linha-dura,
altera os comandos militares e procura lentamente subordinar ao
Ministério da Justiça os aparelhos repressivos militares, que haviam
saído do controle.

Desde 1972, os movimentos armados urbanos não existem mais. A
guerrilha, que sobreviveu apenas no Araguaia, foi destroçada em 1974.
Os vários tentáculos repressivos passam a perseguir grupos que não
participaram desse tipo de enfrentamento, como foi o caso dos militantes
do PCB e de membros da Igreja.

O processo de abertura, como prevê Geisel, não é linear.
Expressivos segmentos militares fazem oposição ao presidente, contando inclusive com o apoio de parte, igualmente expressiva, da Arena. A eles, Geisel eventualmente cede, endurecendo o regime, principalmente após o desempenho eleitoral do MDB nas eleições de 1974. Dois anos mais tarde é aprovada a
denominada Lei Falcão, em alusão ao nome do ministro da Justiça da
época. Através dessa lei ficam proibidos, em programas eleitorais
televisivos, o debate e a exposição oral de propostas e críticas ao
regime. Mais ainda: em 1977, reformas legais criam meios de a Arena
manter presença majoritária no Congresso, apesar das derrotas
eleitorais. Amplia-se a representação parlamentar do Norte e do
Nordeste e institui-se a indicação de senadores pelo próprio governo,
popularmente chamados de “senadores biônicos”.
Por meio dessa delicada engenharia política, Geisel garante a
própria sucessão. O novo escolhido é o general João Baptista de Oliveira
Figueiredo, empossado em 1979. Nessa eleição concorre o general Euler
Bentes Monteiro, apoiado pelo MDB e segmentos importantes do
empresariado brasileiro. Nem os mais beneficiados defendem a ditadura,
cujo fim não demoraria muito a ocorrer.

“Uma Breve História do Brasil”, de Mary del Priore e Renato Venâncio.

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Aloysio e Dilma, lutando juntos na juventude; agora, adversários políticos.

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leitora

 

“A Leitora”.

A perseguição aos sodomitas

Tibira foi o termo genérico tupinambá alusivo à persona homoerótica que teve maior difusão entre os moradores  do Brasil nos dois primeiros séculos de colonização, referido igualmente em alguns documentos da Inquisição, particularmente no Maranhão e Paraíba. Já publicamos aqui neste blog, um texto do antropólogo Luiz Mott, que relata o primeiro crime homofóbico praticado no Brasil. A execução ocorreu no início do século XVII, no Maranhão, quando padres capuchinhos executaram um índio timbira de forma cruel, na boca de um canhão, para puni-lo de seus pecados nefandos. Mott também analisa como era visto o “pecado nefando” naqueles tempos:

Não temos notícia no Brasil de outros criminosos que tivessem sido executados na boca de uma canhão. A leitura do relato da execução desse Tupinambá revela o quão estava enraizada no imaginário dos missionários a condenação máxima ao nefando e abominável pecado e crime de sodomia, já que não há notícia na crônica do Maranhão sob domínio francês, nem alhures, de outro criminoso condenado à morte, além deste infeliz sodomita. E  como explicar tamanho rigor e crueldade se o próprio Yves D’Évreux, corifeu desta incendiária limpeza moral,  pregava que Deus preferia a conversão e a vida do que a morte do pecador?

A nosso ver, a decisão de aplicar a pena capital ao infeliz Tibira, “bruto mais cavalo do que homem” deve ser interpretada a partir de duas hipótese: como estratégia para evitar o temido castigo divino provocado pelo pecado de sodomia e  como exemplaridade pedagógica e estratégia para aterrorizar e impedir o surgimento de  novos “filhos da dissidência”.

Se ainda hoje em dia religiosos fundamentalistas continuam pregando que o Brasil e o mundo correm grave risco de serem severamente punidos pelo Todo Poderoso por causa da liberação mundial da homossexualidade, referindo-se inclusive à epidemia da  Aids e ao tsunami como “chicote divino” contra os gays, quão mais forte devia ser o medo dos cristãos de antanho em atiçar a cólera do Onipotente, crédulos que eram nas intervenções punitivas do Deus dos Exércitos, na ação maléfica do Diabo, no poder protetivo das relíquias e indulgências, na ocorrência de milagres e aparições celestiais. Só purificando a terra de suas maldades  evitar-se-iam os temidos castigos celestiais: peste, fome, terremotos, dilúvios. “O crime de sodomia é gravíssimo e tão contagioso, que mostra a experiência pois em breve tempo infecciona não só as casas, lugares, vilas e cidades, mas ainda Reinos inteiros.”  E mais: “É tão contagiosa e perigosa a peste da sodomia, que haver nela compaixão, é delito. Fogo e todo rigor, sem compaixão nem misericórdia! Tanta força tem o lugar apestado deste vício que para livrar dele até a um inocente, é necessário a violência de muitos anjos”.

Portanto, medo do castigo divino, mas também, receio do contágio. Numa recém fundada colônia de povoamento, a família conjugal devia ser, mais do que nunca, a célula mater da nova sociedade que se desejava implantar no Novo Mundo. Era vital circunscrever a sexualidade ao leito conjugal, visando exclusivamente o aumento populacional: “crescei e multiplicai-vos!” Ao castigar um sodomita público com a pena máxima e com o aterrorizante estrondo do canhão, contando para tanto com o apoio do braço civil e militar, e o calaboracinismo dos próprios nativos, os religiosos aplicavam a pedagogia do medo não só para erradicar esta abominaçao da terra selvagem, como inibir sua prática entre os colonos, já que o homoerotismo além de desperdiçar a semente da tão necessária reprodução de novos cristãos, acreditava-se que esse nefando vício tinha como incontrolável consequência, a efeminação de seus praticantes, enfraquecendo sua valorizada virilidade tão indispensável no confronto guerreiro contra os inimigos  silvícolas e lusobrasileiros.  

Daí a insólita utilização do canhão como instrumento de execução dessa pena de morte. Enquanto no Velho Mundo, nos reinos de Espanha e Portugal, inclusive na própria  França, há séculos determinavam as leis que os sodomitas e outros criminosos morais “sejam queimados e feitos pelo fogo em pó, por tal que já nunca de seus e corpos e sepulturas possa ser ouvida memória”, a utilização do canhão certamente teve como intenção dramatizar ainda mais os efeitos aterradores desse castigo. Se um simples pipoco do bacamarte do Caramuru, levou os Tupinambá da Bahia a se curvar perante o náufrago como “Filho do Trovão”, imaginemos o terror causado pelo ensurdecedor estouro de um canhão e seu incomparável poder de esfacelamento do corpo do infeliz criminoso! Seu estrondo deve ter sido ouvido a léguas de distância, encarregando-se o carrasco de publicizá-la de viva voz: “Caruatapirã , o algoz, exaltava-se deste seu feito e dele se servia para se fazer temido contando por todas as aldeias por onde andava e o que tinha feito, asseverando ser irmão dos franceses, seu defensor e exterminador dos maus e dos rebeldes”  Um refinado colaboracionista!

 - Luiz Mott.

Carta de Pero Vaz de Caminha on line

O escritor português Pero Vaz de Caminha trabalhou como escrivão da armada do navegador Pedro Álvares Cabral. Caminha é autor da carta do descobrimento ou “achamento” do Brasil, datada em 1° de maio, que serviu como testemunho e registro histórico da nau capitânia da armada de Cabral.

O documento foi publicada somente no século XIX, pelo Padre Manuel Aires de Casal, na Imprensa Régia. Confira:

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=2003

Eleições: fraudes, mobilização popular e alvoroço nas casernas

Uma das eleições mais disputadas da República Velha foi a de 1910, em que o marechal Hermes da Fonseca, sobrinho de Deodoro, disputou com o intelectual baiano Rui Barbosa. As fraudes eram comuns naqueles tempos e as eleições eram vistas como mera formalidade, já que os resultados eram tramados nos bastidores. Mas este pleito foi diferente, pelo menos, no que se refere à campanha. Nas ruas das principais cidades do país, era impossível ignorar que uma eleição presidencial se aproximava. Os meetings, hoje conhecidos como comícios, reuniam adeptos de uma e outra candidatura em teatros e outros locais públicos. Era programa popular entre os que tinham direito ao voto – privilégio de poucos – acompanhar discursos dos candidatos ou dos seus cabos eleitorais.

Quem lesse jornais ou revistas também seria bombardeado com as informações e debates eleitorais. O assunto não ficou restrito às colunas políticas e passou a ocupar outros espaços na imprensa. E não era só no Rio de Janeiro que a campanha se desenrolava. Pela primeira vez na história republicana do Brasil, os candidatos promoveram excursões eleitorais. A campanha de hermistas contra os civilistas, representados por Rui Barbosa, recolocou na cena política os militares, que tinham se afastado desde 1898. As casernas, antes silenciosas, se manifestaram na defesa do soldado-cidadão, salvador da pátria mergulhada em corrupção, coronelismo e cangaço.

De nada adiantou os paulistas financiarem a campanha de Rui, que percorreu o país procurando o respaldo popular, fato inédito na vida republicana brasileira. Hermes da Fonseca, apoiado pelas oligarquias de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, foi o primeiro militar a se eleger por voto direto. Ao assumir utilizou tropas federais para garantir a “política das salvações”. As “salvações” substituíam nos governos locais, sobretudo no Norte e Nordeste, candidatos favoráveis ao governo central, em detrimento de oligarquias que mandavam e desmandavam em benefício próprio. Entre intelectuais e camadas desfavorecidas da população, engordava um sentimento de desgosto com o conservadorismo político representado pelo presidente Hermes.

Márcia Pinna Raspanti/Mary del Priore.

Hermes da Fonseca

 

Marechal Hermes da Fonseca: autoritarismo.

Histórias sobrenaturais: casas mal-assombradas

A partir  do mês de junho  de 1889,  quase diariamente, a Gazeta  de Notícias  noticiou os eventos ocorridos na casa de número 4 na rua Barão de Mesquita, na Tijuca, no Rio de Janeiro. O que era boato  passava a fato. À noite, trilavam  apitos sem que se identificasse de onde vinham. Um operário que atravessou os portões  viu surgir o fantasma de uma mulher  que passou  por  ele voando.  A quem  reagisse à sua aparição, ela tapava  o rosto  do  transeunte com uma  mão  fria  como  gelo e o cobria de bofetões antes de sumir. Pela rua onde ficava a casa, cruzava um cavalo  preto  com seu cavaleiro  igualmente  vestido  de preto  e se esvaeciam na terra. Sinistro. Do forro do sobrado, escapavam  chamas azuis e amarelas  que se moviam,  acendiam  e apagavam sozinhas. As madeiras  rangiam.  O cheiro de enxofre  invadia  o ar e certa voz lacri- mosa perguntava: “Céticos,  que vindes fazer aqui?!”.  Um gato preto, grande como um cão, fazia “artes  do demo”. As coisas extraordinárias que emanavam da casa reuniram tal tumulto de gente que os praças do Colégio Militar  foram  obrigados a interferir. 

Quem teria morado ali? Um chapeleiro bizarro  que pedia a quem passasse que tirasse o chapéu. O aspecto sombrio  e misterioso  da casa a tinha transformado numa “esfinge para os crédulos”. Pediu-se até ao jornal  católico  O Apóstolo para  que elucidasse o caso que poderia  se prestar  a um exorcismo. “Casos  mais ou menos tétricos  têm vindo à luz da publicidade”, martelava a Gazeta. O número  de casos sobrena- turais era tão grande que “raro é aquele que se possa gabar de não ter esbarrado nestes últimos dias com uma meia dúzia de almas do outro mundo”. E almas tão insistentes quanto irascíveis credores. Entusiastas do fenômeno  da casa mal-assombrada inundavam a redação  com cartas.

- Mary del Priore. (“Do Outro Lado – Uma História do Sobrenatural e do Espiritismo”).

Ainda dá tempo! O nosso desafio cultural deste mês é relativo a histórias que envolvam fenômenos sobrenaturais ou inexplicáveis. Podem ser relatos de experiências vividas ou mesmo casos que já se tornaram parte da tradição oral. O mais importante é usar a imaginação.As duas melhores narrativas serão publicadas no blog e os autores receberão, pelos Correios, um exemplar autografado de “Do Outro Lado – A História do Sobrenatural e do Espiritismo”. Os textos devem ter, no máximo,15 linhas e devem ser enviados para o email do blog (historia.hoje@bol.com.br), ainda hoje, dia 21 de outubro. Mas, lembre-se: só serão avaliadas as histórias encaminhadas por email. Participe!

espiritismo

Documentos raros: Carta de Sesmaria de D. João VI

Uma equipe de estagiários que trabalhavam no Centro de Acervo Permanente do Arquivo Público do Estado de São Paulo, encontraram mais um importante documento no acervo da Instituição. Trata-se da Carta de Sesmaria escrita pelo Príncipe Regente Dom João VI, em 1799.

A carta foi encontrada por Amanda Pereira Siqueira, estudante de História na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e Ana Sara Cunha Lara, estudante de Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP), ambas trabalham no projeto de organização do acervo do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP) – que está sob a guarda do Arquivo Público desde 2008. Segundo as estagiárias, na carta há registros do próprio Príncipe Dom João VI fornecendo terras ao filho do capitão mor da Freguesia de Itu.

“Encontrar um documento como este é emocionante, ainda mais quando você é estudante”, disse Amanda. Para Ana Sara “unir o conteúdo que tem aprendido na faculdade com as experiências no Arquivo Público é uma bagagem fundamental para a profissão”.
A Carta de Sesmaria do Príncipe Dom João VI está disponível para pesquisa.

Arquivo Público do Estado de São Paulo.
Rua Voluntários da Pátria, 596 (ao lado da estação do metrô Portuguesa – Tietê) – Santana, São Paulo -
Horário de visitação: Segunda à sexta, das 9hs às 17hs.

(Informações do Arquivo Público do Estado).

DJoão

D. João VI.